- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
Polícia

Amor doentio já levou 13 mulheres à morte este ano no Estado

Grande parte das vítimas de feminicídio do Estado foram mortas pelos próprios companheiros, conforme revela o painel de homicídios da Secretaria de ...

A delegada Michele Meira destacou que a PM pode ser acionada pelo 190

Última atualização

delegada Michelle Meira  diz que a mulher deve observar sinais de violência e procurar ajuda do poder público (Foto: Fábio Nunes)

Grande parte das vítimas de feminicídio do Estado foram mortas pelos próprios companheiros, conforme revela o painel de homicídios da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). O levantamento indica também o número de vítimas, de janeiro ao dia 10 de junho: foram 13 mulheres assassinadas simplesmente por serem mulheres.

Desse número, 45% foram mortas pelos maridos, 27% pelos ex-maridos, 9% pelos namorados e outros 9% pelos companheiros. Uma outra parcela (9%) foi assassinada por conhecidos.

Entre os motivos para os assassinatos dessas vítimas está o amor doentio do autor do crime, que enxerga a mulher como um objeto de posse, conforme revela a promotora da Vara de Violência Doméstica do Ministério Público, Joana Darc Calmon Guzansky.

“O homem tem um sentimento de posse muito grande em relação à mulher, e esse sentimento faz com que ele acredite que ela é só dele e de mais ninguém. Esse ‘amor’ doentio os leva a cometer vários atos graves, que até eles próprios acham que nunca fariam, como assassinar a própria mulher”, explicou.

A gerente de Proteção à Mulher da Sesp, delegada Michelle Meira, explica que esse tipo de delito começa com falta de respeito dentro do próprio relacionamento.

“Começa com palavrões, ameaças, até chegar no feminicídio. O ideal é que as mulheres consigam observar alguns sinais dentro desse relacionamento, que é abusivo, e procurar ajuda do poder público, para poder sair desse ciclo de violência”, indicou.

Apesar de uma redução de 7% em comparação aos seis primeiros meses de 2020, o número de homicídios de mulheres este ano também chamou atenção: foram 40 vítimas, segundo os dados da Sesp. Desse número, 16 foram na Grande Vitória.

Entre os meios utilizados para a prática criminosa, as armas de fogo ficaram em primeiro lugar com 60% dos casos. Em segundo, as armas brancas (facas e facões) – 33% e outros meios (8%).

As vítimas que foram mortas tinham, pelo painel, entre 35 a 39 anos. E o dia da semana onde mais ocorreram mortes de mulheres foi a terça-feira (23%). Já os feminicídios, a maioria deles ocorreram nos sábados (23%), e a faixa etária das vítimas também foi de 35 a 39 anos.


Os três mais procurados


 (Foto: Reprodução jornal A Tribuna)


Saiba mais


  • Feminicídio: é o assassinato de uma mulher pela condição de ser simplesmente mulher.

  • Os motivos mais comuns são ódio, desprezo ou perda do controle e da propriedade sobre as mulheres.

  • Violência doméstica: é agressão praticada em casa, que causa sofrimento físico, sexual, psicológico.

  • A violência contra a mulher é considerada violência de gênero.

Tipos de violência

  • Física: é agressão ao corpo, que pode ser feita por socos, empurrões, mordidas ou por uso de armas.

  • Psicológica/moral: é a agressão verbal, que humilha e desqualifica.

  • Sexual: é a prática do sexo sem consentimento, com uso da força.

  • Patrimonial: provoca danos, perda ou retenção de bens materiais e valores que limitam a autonomia.

 (Foto: Reprodução jornal A Tribuna)


Especialistas defendem leis duras e políticas públicas

Para redução de casos de feminicídios, bem como o número de assassinatos de mulheres no Estado, além da implementação de políticas públicas, especialistas em segurança sugerem leis mais duras para quem comete o crime.

“O aumento de pena pode ser visto como uma forma de tirar o criminoso do convívio social por mais tempo, evitando-se assim que mais mulheres se tornem vítimas daquele agente, quando ele estiver preso”, diz o especialista em Criminologia Flavio Fabiano.

Rogério Fernandes Lima, especialista em Segurança Pública, defende que, além do aumento de pena, uma mudança cultural deve ser feita para controlar a violência.

“(Mudança) Não só comportamental, mas sociológica e educacional nas famílias, haja vista que no Brasil há um grande número de lares onde o chefe da família é a própria mulher e mesmo assim o processo se repete”, explicou.

O advogado criminalista Rivelino Amaral acredita que a solução está na implementação de políticas públicas, já que a incidência desses crimes está ligada a questões sociais.

Vara da violência tem no ano mais de 2 mil medidas protetivas

Somente nos seis primeiros meses do ano, pelo menos 2.115 mulheres solicitaram medidas protetivas contra seus companheiros. Os dados se referem apenas a 9ª Vara da Violência Doméstica, que fica em Vila Velha. Ou seja, o número de solicitações pode ser ainda maior em todo o Estado. A maioria delas segue em análise.

“Tem mulheres que pedem direto ao juiz, através de advogados. Outras vão à Delegacia da Mulher e registram boletim e fazem o requerimento, outras procuram o Ministério Público”, explicou a promotora Joana Darc Calmon Guzansky.

Dados da Secretaria de Estado da Justiça revelam que 68 assassinos de mulheres cumprem penas em unidades prisionais do Estado: 28 presos condenados e 40 provisórios.


Análise – Layla dos Santos Freitas,
Socióloga e advogada especialista em gênero


Layla dos Santos Freitas, psicóloga (Foto: Divulgação)“Uma mulher pode demorar mais de 10 anos para conseguir denunciar uma agressão ou o agressor. Apesar da sociedade, em sua maioria, não entender por que isso ocorre, existem vários motivos que explicam essa ‘falta de atitude’ da mulher.

É importante sempre lembrar que estamos tratando de um relacionamento, muitas vezes, enviesado de abusividade, toxicidade, dependência emocional e patrimonial. O que dificulta a efetiva retirada do relacionamento, por parte da vítima.

Precisamos de políticas públicas mais efetivas. Que o Estado esteja mais presente na vida destas mulheres. Não adianta criar política e não dar conhecimento da existência para a mulher.

É preciso uma reciclagem consistente das instituições envolvidas com as vítimas – Polícia Civil, Poder Judiciário, Estado, município – e medidas de acolhimento a estas mulheres, que precisam se sentir seguras e confortáveis para darem continuidade à denúncia”.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.