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Uma rua do bairro Laranjeiras, na Serra, foi tomada pelos gritos de uma mulher de 50 anos que foi ameaçada pelo companheiro no último sábado (07). Segundo a vítima, essa é a terceira vez que o homem faz uso de bebida alcóolica e fica violento. O autor das ameaças foi detido em posse de duas facas após ameaçar a companheira e tentar se auto ferir.
De acordo com uma testemunha – que não quis ser identificada – os barulhos de ameaça foram ouvidos por volta das 20h, e um outro homem tentava conter o autor das agressões. “Saí da minha varanda e dois caras estavam gritando, sendo que um falava que ia matar a mulher”, relatou.
A vizinha da vítima, desceu e abraçou a sobrinha da mulher que estava sendo ameaçada. “Ela me disse ‘ele quer matar minha tia'”, disse. Conforme informações da testemunha, o homem estava visivelmente alterado e precisou ser contido pelos policiais.
“Quando ele foi algemado, ele olhou pra trás, para ela (vítima) e disse ‘isso não vai ficar assim’. Eu aconselhei a mulher, porque não faz 15 dias que eu também passei por esse tipo de violência”, contou.
A senhora, que ainda tem hematomas das agressões do ex-companheiro, disse que percebeu que a jovem não teria coragem de denunciar e resolveu intervir.
O homem foi levado à Delegacia de Plantão Especializado da Mulher, no bairro Ilha de Santa Maria, em Vitória. Lá, de acordo com o boletim de ocorrência, começou a pedir por socorro, e fazer ameaças à mulher e aos militares. “Seus desgraçados! Demônios! Vocês serão cobrados”, disse aos policiais.
Já para a vítima, prometeu retornar e se vingar da denúncia. “Irei em Goiânia e vou voltar, então você vai ver! Você não sabe quem sou eu!”, esbravejou na delegacia.
Segundo a polícia, o homem teria vindo de Goiás para o Espírito Santo, por razões desconhecidas e se envolveu com a vítima.
O agressor, que fazia uso de tornozeleira eletrônica em razão de outro crime não informado, foi autuado pela Lei Maria da Penha.
Marcas da violência
A vizinha que presenciou as ameaças, também passou por uma situação parecida com um ex-companheiro. A testemunha conta, que após nove anos de relacionamento aconteceu a primeira agressão. “Eu perdoei a primeira e achei que não ia acontecer de novo, até que se repetiu. Ela batia em mim como batia em homem, com muita força”, explicou.
“Ele me chutava, me dava joelhadas e socos, mas só em lugares onde ninguém consegui ver”, acrescentou.
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A mulher, de 58 anos, conta que para se livrar da última agressão, ocorrida já com a existência de uma ordem de restrição contra o agressor, precisou utilizar uma faca de pão. “Eu peguei uma faca para me defender, e assim que atingi ele aí que ele começou a me bater mais e eu disse ‘então eu vou ter que terminar de te matar, ou é eu ou você'”, desabafou.
A testemunha, ainda muito abalada, disse que por conta de sua experiência com a violência doméstica se compadeceu da vizinha. “Falei para ela prestar queixa e não deixar isso baixo, porque se ele voltar pode fazer pior. Não sabemos o que esse homem já fez, já que já faz uso de uma tornozeleira eletrônica, boa coisa não foi”, ressaltou.
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