Trabalhando como contadora por mais de três décadas e se dedicando a juntar dinheiro para ter tranquilidade na terceira idade, uma aposentada viu, em questão de horas, boa parte de suas economias desaparecer de sua conta bancária.
Ela teve R$ 70 mil roubados, dos quais só R$ 30 mil foram recuperados. A vítima, que tem 57 anos e pediu para não ser identificada, caiu numa cilada conhecida como “golpe do falso funcionário de banco”. Ao ser enganada pelos criminosos e ter seu celular invadido, a aposentada perdeu R$ 40 mil que estavam em sua conta.

Mas um bandido segurou a linha, já que, em ligações de telefone fixo, o autor da chamada é quem encerra o telefonema.
“Liguei para a central do meu banco. O golpista disse que era para eu baixar um antivírus. Baixei e ele fez um acesso remoto no meu aparelho. Depois, acessou meu aplicativo do banco”, contou.
Ao conseguir o acesso remoto no telefone da vítima, o bandido invadiu a conta bancária por meio do aplicativo e criou uma chave de Pix, que ela não tinha até então.
Com essa chave, ele retirou da conta mais da metade do dinheiro que ela juntou por 30 anos. “Quando olhei o extrato, vi que eles haviam transferido R$ 70 mil dos mais de R$ 108 mil que eu tinha juntado uma vida inteira”, conta.
Praticado por quadrilhas de outros estados, este tipo de golpe vem sendo registrado na Delegacia de Crimes Cibernéticos (DRCC ). “É um crime comum. Não recebemos todos os dias, mas verificamos sim, alguns registros”, disse o titular da delegacia, Brenno Andrade, que informou, inclusive, que a polícia já apura o caso.
Para evitar casos assim, João Paulo Chamon, especialista em Tecnologia, pede que as pessoas sejam mais “desconfiadas” e sempre procurem suas agências bancárias no momento de dúvidas.
“A partir do momento que você não é responsável por facilitar aquele tipo de crime, o banco é responsável por manter a segurança da sua conta. Agora, se você fornece informações, perde seu direito. Por isso, nunca forneça dados à ninguém”, disse.
“Era o dinheiro que juntei a vida inteira”, diz aposentada
Desespero e medo do futuro. Assim pode-se descrever o estado emocional em que se encontra a contadora aposentada, de 57 anos, vítima de um golpe no qual perdeu R$ 40 mil.
Em entrevista à reportagem de A Tribuna, na tarde de ontem, ela contou como foi o momento em que descobriu que tinha perdido boa parte do dinheiro que juntou por 30 anos. “Fiquei desesperada”, revela a mulher, que não quis ser identificada.
A Tribuna – Como se deu o golpe?
Aposentada – Eu estava em casa, quando meu telefone fixo tocou. Era uma mulher, que se apresentou como Simone e disse que era da segurança do meu banco.
Ela te pediu para confirmar alguns dados?
Ela perguntou se eu confirmava duas transferências e eu disse que não. Em seguida, como eu suspeitei de golpe, eu desliguei a ligação e fui no meu escritório buscar o número de 0800 do meu banco. Disquei o número e quem me atendeu disse que era suporte técnico do banco.
E essa pessoa te falou o que exatamente?
Ele pediu para passar um antivírus, e que eu ativasse o telefone e fosse na playstore. Nisso, ele instalou um aplicativo remoto. Com o telefone ativado, ele pôde ativar o aplicativo e resgatou o app do banco, que sumiu na mesma hora.
E depois disso?
Liguei para o banco do meu celular, mas ninguém me atendeu. No outro dia, bem cedo, eu fui olhar meu extrato bancário pelo computador e vi que tinham até criado uma chave de Pix com meus dados. Além de ter tirado aproximadamente R$ 70 mil da minha conta poupança e mais R$ 5.698 da conta corrente.
Qual era o saldo que tinha na sua conta?
Eu tinha juntado R$ 108 mil ao longo de 30 anos que trabalhei. Entre transferências e compras, eles tiraram mais de R$ 70 mil.
A senhora foi ao banco?
Fui logo no dia seguinte e a gerente bloqueou a conta. O banco conseguiu me devolver apenas R$ 30 mil. Os outros R$ 40 mil, eles alegam que não vão devolver porque fui eu quem forneci o código de acesso para o golpista. Eu já falei que não requeri a chave do Pix, porque eu teria de ter solicitado para eles liberarem. Como o banco não desconfiou que era um golpe?
Qual o sentimento que fica após passar por essa situação?
De injustiça e angústia. Era um dinheiro que eu juntei a vida toda. Desde adolescente, eu já tinha o objetivo de preparar o meu futuro, foram mais de 30 anos juntando para perder boa parte dele assim.
O outro lado
Tipo de golpe teve aumento de 340%
Em nota, o banco responsável pelos investimentos da aposentada, que perdeu R$ 40 mil no golpe do falso atendente, não se posicionou referente o caso, mas disse que “os golpes da falsa central telefônica e falso funcionário de banco tiveram crescimento de 340% em relação ao ano passado”.
O banco disse ainda que tem realizado diversas campanhas de prevenção a fraudes, por meio de divulgação nas mídias sociais. Além disso, informou que nunca liga para os clientes, solicitando dados de acesso, senhas ou códigos dos dispositivos. A instituição também não liga pedindo código do BToken e nem para agendar a entrega de cartões de crédito.
“Desconfie de ofertas milagrosas ou solicitações urgentes, em geral os golpistas utilizam-se dessas abordagens”.
DICAS
Precaução e segurança
Dados
- Nunca forneça seus dados pessoais a qualquer pessoa, seja por telefone, e-mail e aplicativos de conversas.
Eletrônicos
- Em hipótese alguma permita o acesso de seu computador, tablet ou telefone por terceiros.
- Caso isso aconteça, você pode ter problemas com o ressarcimento dos valores roubados pelos bandidos, já que a instituição não tem obrigação de, por exemplo, conferir se o Pix é válido da pessoa ou não.
Site e aplicativo
- Utilize apenas o site e aplicativo do seu banco para fazer pagamentos, cadastrar seu Pix.
Links
- Evite clicar em links recebidos via SMS ou por e-mails.
- Não use wi-fi de shoppings, bares ou qualquer outro tipo de locais públicos para realizar suas transferências bancárias.
Fonte: Especialistas citados e Polícia Civil.