Após a prisão de um operador de convés, de 32 anos, em Guarapari, a família do detido recebeu a ligação de um criminoso que se apresentava como delegado e pedia o pagamento da fiança, no valor de R$ 1.990, para liberar o rapaz.
O criminoso se apresentou como o delegado responsável pela prisão e chegou a usar a foto de um distintivo da Polícia Civil no perfil do WhatsApp para enganar a família.
Primeiro, o falso delegado tentou recolher o valor da fiança alegando que esse era o processo padrão.
Para concluir o procedimento, o criminoso disse que bastava a família depositar o dinheiro em uma conta que seria da coordenadora de plantão judiciário. E, depois, enviar o comprovante de pagamento pelo WhatsApp para buscar o detido na porta do fórum.
Ao perceber que a família do preso estava desconfiada, o criminoso disse que faria a liberação “por fora”, de forma ilícita, liberando o homem com o pagamento de suborno.
O irmão do detido estava no escritório dos advogados da família quando recebeu a ligação do falso delegado. Com isso, o advogado Lucas Neto entrou em contato com a assessoria da presidência do Tribunal, e foi informado de que a audiência de custódia iria acontecer, e que o homem seguia preso.
|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
O detido nem sequer estava na delegacia e sim no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarapari, aguardando audiência de custódia. Além disso, o operador de convés havia sido autuado com base na Lei Maria da Penha, o que não cabe fiança na delegacia.
“Os golpes estão se diversificando cada vez mais, e os criminosos estão ficando muito ousados. Isso é um caso de polícia. Precisa ser investigado com seriedade para saber se há um vazamento de informação, humano ou mecânico”, disse o advogado Lucas Neto.
“Pode ser um vírus no computador, um hacker, um problema no e-mail que comunica as prisões ou pode ser uma pessoa informando, na Justiça ou na própria polícia”, completou.
O advogado, juntamente com a família do preso, registrou um boletim de ocorrência sobre o caso.
O homem preso com base na Lei Maria da Penha foi liberado para responder o processo em liberdade.
“Como vamos confiar na polícia?”, diz irmão de detido
O irmão do detido, um encarregado de convés, de 31 anos, conta que ficou indignado com a tentativa de golpe, já que os criminosos tinham todas as informações. Ele acredita em vazamento.
A Tribuna – Como o falso delegado chegou até você?
Irmão do preso – A minha mãe me ligou informando sobre a ligação de um delegado que estipulou a fiança do meu irmão, e que era só realizar o pagamento, sem precisar de advogado. Mas, no sistema, já dizia que meu irmão estava aguardando a audiência de custódia.
Depois, ele te ligou?
Me ligou por WhatsApp perguntando se eu havia feito o pagamento, e eu disse que não. Pedi para ele falar com a advogada. Ele trocou umas palavras com ela, começou a ficar nervoso e desligou o telefone.
Quando perceberam que se tratava de um golpe?
Ele pediu para que eu saisse de perto dos advogados. Depois, disse que estava acontecendo um acordo de policiais para liberar o meu irmão. Eu só precisava fazer o depósito e enviar o comprovante. Falamos que meu irmão tinha sido preso em Piúma, para ver o que o falso delegado iria falar, e ele confirmou. Mas a prisão foi em Guarapari.
A polícia fez contato?
A delegacia me ligou por volta de 3h informando que ele estava detido, e disse que me ligaria pela manhã para falar sobre fiança. Pela manhã, ligaram para falar que o caso não cabia fiança. Meu irmão se envolveu em uma briga na rua, e foi preso autuado na Lei Maria da Penha.
De onde você acha que as informações vazaram?
Da delegacia, porque só eles tinham esses dados. Como vamos confiar na polícia agora?
|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
Polícia investiga cidade de golpista
A Polícia Civil informou que o caso do golpe da fiança está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais de Guarapari.
A polícia apura as circunstâncias em que os dados do preso chegaram ao conhecimento dos criminosos, assim como a origem dos deles, já que o telefone tem um prefixo do estado de São Paulo.
“O criminoso ligou no mesmo dia da prisão, sabia o nome do autuado e o contato da família, o mesmo que foi deixado na delegacia. Ele sabia qual era o crime, mas não tinha todas as informações”, contou o advogado Lucas Neto.
Para confundir os criminosos, o advogado chegou a falar, na ligação, que o crime havia sido cometido em Piúma, fato confirmado pelo falso delegado. O crime, no entanto, foi em Guarapari. “Temos conhecimento de outros casos”, contou o advogado.
Para aplicar o golpe, o criminoso se apresentou como delegado Daniel de Paula Oliveira. A Polícia Civil esclareceu que os nomes usados não são de servidores da polícia.
A polícia esclareceu, ainda, que informações sobre o recolhimento de fianças devem ser obtidas pessoalmente na delegacia.