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Bandidos bancam bailes com armas e drogas em 18 bairros

Madrugada de domingo no Bairro da Penha, em Vitória. Em fila indiana, com fuzis nas mãos, criminosos comandam um baile funk e cantam: “Nóis é ...

Bandidos bancam festas com bebidas, drogas e armas

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Madrugada de domingo no Bairro da Penha, em Vitória. Em fila indiana, com fuzis nas mãos, criminosos comandam um baile funk e cantam: “Nóis é bandido, nóis não namora!”. Enquanto lucram com o tráfico de drogas, distribuem bebidas de graça e garantem que a festa aconteça até o meio-dia.

A Tribuna mapeou ocorrências de bailes ilegais bancados pelo crime em pelo menos 18 bairros da Grande Vitória, nos últimos meses, cruzando informações de investigações e de fontes da segurança pública.

Há registros de festas em Bairro da Penha, Itararé, São Benedito, Gurigica, Enseada do Suá (Morro da Garrafa) e São Pedro, em Vitória; Cobi de Baixo, Terra Vermelha, Guaranhuns, Santa Rita, Primeiro de Maio, Boa Vista, Ilha das Flores, Argolas e Divino Espírito Santo, em Vila Velha; Carapina, na Serra; e em Porto de Santana e Flexal, no município de Cariacica.

As investigações dos órgãos de segurança trazem imagens de “Bailes do Mandela”, no Complexo da Penha. Nelas, criminosos armados com pistolas retiram de uma casa o carregamento de bebidas para o baile. A “escolta” fica por conta de um grupo criminoso conhecido pelo forte armamento.

Para divulgar os eventos, também foram criados perfis em uma rede social para manter informados organizadores, moradores, MC’s e DJ’s. Nessa rede é disparado o “salve geral”, indicando o dia e local das festas clandestinas.

Neste mês, alguns bailes aconteceram, entretanto, sem a revelação exata do lugar. Porém, a reportagem conseguiu confirmar a realização das festas nos últimos dias 9 e 16.

No último dia 23, um baile chegou a ser cancelado pela própria organização no Complexo da Penha. Mas o Morro da Garrafa, na Enseada do Suá, não dormiu tranquilo: no último dia 28, desde as 23h, um “Mandela” foi armado com promoção de bebida de graça e o anúncio de que “todo mundo estava liberado para subir a noite toda as escadinhas no pique.”

Investigadores afirmam que “oferecendo o circo, traficantes levam diversão e passam a ser admirados e temidos”. Na internet, eles ainda debocham: “Dá nada, não!

Bandidos bancam festas com bebidas, drogas e armas

“Nóis que tá no controle de Glock”, cantam os bandidos

“Deixa eu passar a Glock com o pentão em tu”, canta o MC, para na sequência se vangloriar que ela “se joga na minha cara, porque sabe que eu sou do Trem Bala.”

A reportagem identificou que DJ’s e MC’s preparam sequências musicais específicas para cada baile – anunciando, inclusive, versões remixadas com datas e horas previamente escolhidas para grupos de frequentadores na internet. As demonstrações ocorrem antes e depois dos bailes

Nas letras, dão a entender que estão armados com Glock – mesmo tipo de pistola comprada recentemente pela polícia do Estado – e que possuem influência sexual com as mulheres que frequentam os bailes por participarem de grupos criminosos.

“Nóis que tá no controle”, começa o trecho da sequência musical lançada na última semana, que cita membros de uma quadrilha e diz que a “novinha” (adolescente) viu um dos criminosos de “Glock” e um comparsa “de malote” (dinheiro).

A ideia das músicas é vangloriar o poder sexual dos traficantes com a comunidade: “Para a tropa, ela joga na cara”, diz um dos trechos. Um dos banners da sequência musical divulgada foi feito, inclusive, com desenhos de tiros sendo disparados.

Em outro áudio obtido pela reportagem, os relacionamentos das mulheres das comunidades com membros de diferentes hierarquias da criminalidade é destaque: “Ela gosta muito de dinheiro, ela vai com o ‘vapor’ e com o ‘fogueteiro’. Ela vai com o ‘radinho’.”

Em outra sequência de músicas para os bailes, a metralhadora K-47 é citada: “Vem pulsando na K”.

A organização vai além do som que embala os bailes: até copo personalizado para o evento é criado.
 

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