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SOB CONTROLE DO TRÁFICO

Bandidos invadem casas e cortam luz de moradores

Traficantes ditam as regras, com assaltos ao comércio e à igreja, e ameaçam quem mora no bairro

Moradora diz que a polícia, atuando sozinha, não dá conta de conter atividades criminosas em Jardim Carapina

Última atualização

Tensão e medo. Essas palavras resumem o clima que predomina entre os moradores de Jardim Carapina, na Serra. Além de terem casas invadidas e roubadas por traficantes da região, eles estão ficando sem energia elétrica, a mando da própria criminalidade do bairro.  

A denúncia, feita com exclusividade à reportagem de A Tribuna, revela inúmeros esquemas criminosos que vão desde a venda de produtos oriundos do crime até o uso de barracas de comida para a comercialização de drogas.

Fontes ligadas ao Ministério Público afirmaram que já estão cientes do caso e que uma investigação já foi aberta. Mas, enquanto o problema não é resolvido, moradores sofrem por terem a casa invadida e os bens levados por criminosos. 

“Eles entram nas casas, assaltam igreja, padarias, comércio em geral e levam o que quiser. Se a pessoa falar algo, ela é ameaçada de morte”, contou uma dona de casa de 45 anos, que, por medo de represália, pediu para não se identificar.

Moradores dizem que os traficantes chegam a desligar os relógios, não só dos postes de iluminação, mas, em alguns casos, o padrão de energia de moradores. 

“Desligam a luz em cada esquina. Eles fazem isso direto. Essa é uma estratégia de guerra, para não termos visão de quem está na rua, quando eles querem invadir as nossas casas”, contou uma autônoma de 26 anos, que, por medo, também não quis se identificar.

Além da invasão de domicílio e corte de energia, o barulho feito pelos traficantes durante o “Baile do Mandela” assusta os moradores. “Já pensei em me mudar para o interior porque eu não consigo dormir direito”, afirmou uma moradora, de 51 anos, que também optou por não ser identificada.

Muitas pessoas também reclamaram sobre os pontos de vendas de drogas. “Se minha casa ficar em um ponto estratégico para venda de drogas, eles nem perguntam se eu quero vender. Eles colocam uma boca na porta, inclusive com menores de idade”, contou.

O pedido de socorro dos moradores, feito à reportagem, já chegou ao Ministério Público do Estado (MP-ES), que informou que já está apurando o caso.

 













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“Queremos a presença do Exército”, diz dona de casa

Temendo pela própria vida e de sua família, uma dona de casa, de 45 anos, que não quis se identificar, conversou com a reportagem de A Tribuna, a fim de pedir socorro às autoridades diante do domínio do tráfico de drogas em seu bairro, Jardim Carapina, na Serra.

“Não posso sequer sair de casa direito, porque eles estão por todos os lados. Queremos o Exército no bairro”, disse.

A Tribuna –  O que mais incomoda nessa situação toda?

Dona de casa – Os roubos e as ameaças. O bairro está dominado pelo tráfico. Eles entram nas casas, assaltam a igreja e o comércio. Arrombam tudo! Entram em qualquer horário do dia nas casas e levam o que querem. Se a pessoa falar algo, eles ameaçam de morte. 

A senhora já foi ameaçada?

Várias vezes. Porque eu não compactuo com o que eles fazem.

E o que eles fazem?

Aliciam menores. Desligam a energia de postes e até das casas dos moradores. Eles mandam danificar móveis, isso tudo quando não compactuamos com eles.

O que é não compactuar com eles?

Não aceitar propostas. Eles oferecem, por exemplo, dinheiro para um cidadão que não é envolvido no crime, para que ele alugue a casa para baile funk. Como a festa é feita na casa de alguém que teoricamente não tem envolvimento, a polícia não vai bater lá. Se você não aceita a proposta, eles ameaçam e fazem tudo que eu falei.

Como é viver em um lugar dominado pelo crime?

A gente não tem vida. Eu tenho uma casa bonita que não vale nada. Eu não tenho uma ceia de Natal na minha casa há anos porque meus parentes têm medo de vir aqui.

E o que vocês desejam?

Queremos a presença do Exército. Que ele se instale aqui, porque a polícia sozinha não dá conta.

Prostituição de meninas no bairro

Um esquema envolvendo aliciamento de adolescentes do sexo feminino no bairro Jardim Carapina, na Serra, está sendo apurado pelo Ministério Público do Estado (MP-ES). O caso foi revelado por meio de denúncias anônimas. 

De acordo com moradores, as vítimas seriam meninas de 12 a 17 anos, que estão sendo “capturadas” por meio de uma falsa proposta de emprego.

“Uma van espera nas rodovias da Grande Vitória as meninas que vêm do interior do Estado e as trazem para o bairro, onde existe uma casa para elas trabalharem”, revelou uma dona de casa de 32 anos, que pediu para não ter a identidade revelada.

A casa noturna onde as garotas estariam trabalhando, segundo moradores, seria mantida com dinheiro do tráfico da região. 

“Algumas são enganadas porque vêm para cá acreditando que é de fato uma proposta de emprego, mas outras já sabem o que é. O local é mantido pelos traficantes, que também contratam os programas”, contou a moradora.

Polícias garantem monitorar região

Ao ser questionada sobre as denúncias feitas por moradores de Jardim Carapina, a Polícia Civil do Estado informou que monitora as atividades criminosas em todos os ambientes.

“A Polícia Civil ressalta que realiza trabalho de investigação contra o tráfico de drogas e crimes relacionados, incluindo a região citada, onde prisões já foram realizadas”, diz a nota. 

Já a Polícia Militar disse que realiza policiamento ostensivo para reprimir crimes, com empenho de equipes especializadas.

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