O capitão do barco que jogou bolsas náuticas com mais de 400 quilos de cocaína em alto mar, durante perseguição da Marinha do Brasil, será ouvido pela Polícia Federal, na próxima segunda-feira (29). O comandante da embarcação reside em Itapemirim, no Sul do Estado, e foi um dos alvos da operação Mar Aberto deflagrada, nesta terça (23) pela corporação.
De acordo com a PF, cerca de 100 policiais federais cumpriram 20 mandados de busca e apreensão e prisão, após investigações revelarem o uso de embarcações pesqueiras para transportar cocaína do Brasil para países da África e Europa.
Por meio da simulação de operações de pesca, os criminosos buscavam dissimular o carregamento e movimentação de cargas de cocaína até determinados pontos em alto mar, de onde seriam resgatadas por embarcações estrangeiras e levadas em seguida para locais como Namíbia, Ilha da Madeira e África do Sul.
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A organização, segundo a Polícia Federal, comprava barcos para esse transporte de drogas em alto mar.
O delegado da Polícia Federal de Santa Catarina, Jonathan Trevisan Junior, explicou que a embarcação comandada por esse capitão era uma das compradas pela quadrilha.
“Ele era o capitão e era diretamente subordinado ao dono do barco, que estava mandando a cocaína para África e dali para Europa”, explicou o delegado.
Junior informou que o capitão e a tripulação serão indiciados. “Ele vai ser ouvido na segunda-feira por videoconferência”, informou.
A prisão do comandante do barco havia sido pedida, conforme o delegado, mas a Justiça decidiu pela não decretação no momento.
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A embarcação que ele comandava era originária da frota pesqueira de Itajaí, Santa Catarina, estava sendo monitorada desde a estada junto ao porto de Natal (RN), de onde partiu em 27 de fevereiro deste ano. Em aproximação ao litoral de Recife (PE), teria sido carregada com 2.800 quilos de cocaína, segundo a PF, e seguiu viagem rumo à costa da África.
No entanto, a embarcação acabou perseguida em alto mar e a tripulação dispensou as bolsas náuticas que continham a droga em alto mar, não sendo possível a apreensão da carga naquela oportunidade.
De acordo com o delegado, a droga foi jogada ao mar amarrada em um local que permitisse a recuperação, porém as amarrações se soltaram e 17 bolsas náuticas acabaram sendo levadas pelo mar.
Entre os meses de maio e julho, bolsas de cocaína começaram a chegar no litoral da Bahia e Espírito Santo, onde foram sendo encontradas pela população local. A quantidade de cocaína presente nas bolsas encontrada nas praias desses dois estados é de 442 quilos.
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O delegado informa que o dono da droga e do barco foi preso nesta terça. A embarcação já havia sido vendida.
As investigações apontam que, ao longo de um ano, a organização criminosa tentou exportar para os continentes africano e europeu ao menos 6,5 toneladas de cocaína. As provas que estão sendo coletadas auxiliarão na identificação dos financiadores da atividade criminosa, dentre outros eventuais participantes.
Todos os investigados devem responder pelos crimes de tráfico internacional e associação para o tráfico, com penas somadas de 8 a 25 anos de prisão, além do perdimento dos bens utilizados nas ações criminosas ou adquiridos com o proveito destas.