
O caso aconteceu na madrugada da última sexta-feira (18). Segundo a dona de casa, que não quis se identificar, de 52 anos, ela e o companheiro, um pintor mecânico, 42, estavam dormindo, quando por volta das 3 horas, três traficantes arrombaram sua residência, que fica em um beco na região do Romão, e ordenou que o casal saísse do local.
“Mandaram a gente descer com a roupa do corpo. Meu marido foi agredido com tapas na cara pelos bandidos e desceu o morro correndo. Eu fiquei para trás, foi a hora que me jogaram no chão e, como não conseguia me levantar, me agrediram. Puxaram meu cabelo, me deram socos”, contou a mulher.
O casal chegou a ter um fuzil apontado para a própria cabeça. A vítima explicou que os traficantes, que não seriam rivais do bairro Romão, acreditavam que o casal e as outras famílias estariam escondendo outros traficantes.
A mulher relatou que, enquanto o mecânico estava sendo agredido, o cachorro do casal tentou proteger o dono e os traficantes atiraram contra ele.
“Pensei que ia morrer. Depois fomos morar na rua. Não deixaram levar nada de casa, ficamos dormindo na calçada. Meu marido chegou a voltar para casa escondido para buscar algumas coisas, mas não conseguimos recuperar quase nada”, disse a vítima.
O casal, que está junto há 17 anos, morava há sete anos no bairro em uma casa de dois cômodos. Morando na rua, os dois conseguiram uma barraca com vizinhos e contaram com a ajuda financeira de outras pessoas. A vítima confessa que teme pela vida e que está desesperada.
“É muito triste. Olha como vou passar o Natal, morando em uma barraca e dependendo do dinheiro das pessoas. Não posso comprar nenhuma roupa. Isso desestruturou a gente. Estávamos vivendo em paz, até que começou essa guerra”, ressaltou a dona de casa.
O casal preferiu não procurar a polícia por medo de que os traficantes atentassem contra eles.
