
O titular da Delegacia de Pessoas Desaparecidas (DPD) delegado José Lopes, descartou a possibilidade de que Thayná Andressa possa ter morrido afogada, como Ademir Lúcio Ferreira de Araújo afirmou.
“Pelo que a gente entendeu ele pegou a menina, fez essa maldade toda e saiu”, disse o delegado.
Lopes ainda elogiou a perícia pelo trabalho rápido para entregar o resultado do DNA da ossada.
A Tribuna – Da versão que Ademir alegou, alguma coisa se confirmou?
Delegado José Lopes – Ele falou que a primeira menina o seduziu. Uma menina de 11 anos que o seduziu. Assim fica difícil. Mas em partes da mentira a gente vai encontrando as verdades, por isso a gente precisa das provas.
Ele acha que é muito esperto, mas não é tanto assim. Quando a gente terminar o inquérito a gente vai provar tudo. A versão dele é de que foi seduzido. Depois ele falou que a menina Thayná saiu correndo mato a dentro e ele foi correndo atrás dela e ela se afogou.
O laudo cadavérico indicou isso?
Nada disso é verdade, porque se fosse verdade, o perito diria para gente: afogamento. Mesmo que fosse só os ossos, o perito diria que foi por afogamento. Como a causa da morte deu indeterminada, afogamento não foi.
O estupro dá para provar?
Estamos esperando mais laudos ainda. Temos o veículo e outros instrumentos que encaminhamos para perícia, mas acredito que é possível terminar como positivo. Os peritos agilizaram a parte da ossada e pediram mais essa semana para entregar os outros laudos.
O laudo do carro pode comprovar o abuso sexual?
Pode, mas também pode dizer que não, por isso preciso dele.
Quando sai esse laudo?
O perito falou que essa semana termina os laudos, porque a prioridade era saber se a ossada era da menina. Tem um processo. Não é o perito que vai correr o processo. É a química. Tem que tirar todas as impurezas para não cometer injustiças. Agradeço muito o trabalho dos peritos.
Pelo cárcere o Ademir pode responder?
Não, o tempo foi pouco. Pelo que a gente entendeu ele pegou a menina, fez essa maldade toda e saiu.
O que mais vocês descobriram sobre o Ademir?
Ele mesmo comenta que faz contato com representantes dos Direitos Humanos, da ONU. Ele tem história para todos os gostos.
Ele fala que manda carta para outros detentos de estupro, dizendo que ele consegue baixar a pena em 20 anos. Ele tem que fazer a dele, porque ele não responde só pelo homicídio da Thayná. Ele tem os estupros das outras meninas e possivelmente tem mais ainda. A gente conta com as denúncias.
Quantos policiais participam das investigações?
Mais de 100 policiais ajudaram nas investigações. Tanto daqui, quanto do Rio Grande do Sul. Estou fazendo um ofício de elogio.
Onde Ademir estava escondido no Rio Grande do Sul?
Ele estava no duto de ar condicionado de uma igreja. Ele só tomava a água da caixa d’agua e saía à noite para tentar pegar o sopão. Foi quando ele foi visto e denunciada a Brigada Militar do Rio Grande do Sul.
A reportagem completa sobre esse caso você lê na edição desta terça-feira (5) do jornal A Tribuna.
Reportagem: Leone Oliveira e Rafael Louzada