Celulares tomados em assaltos dentro de ônibus na Grande Vitória estão sendo expostos e vendidos em diversas lojas. Após os roubos, os criminosos saem oferecendo os aparelhos a comerciantes, que os compram e vendem por um preço até 50% abaixo do valor de mercado.
Na última sexta-feira, a Polícia Civil comandou uma operação que prendeu oito donos de lojas, mas somente ontem foram divulgadas informações sobre o assunto, em entrevista coletiva.
De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Crimes Contra Transporte de Passageiros (DCCTP), delegado Gabriel Monteiro, a operação fiscalizou 15 lojas. “Com o apoio da inteligência da Secretaria da Segurança e com o auxílio do Disque-Denúncia, conseguimos mapear 15 lojas que adquiriram esses celulares.”
Em seis das lojas fiscalizadas, a polícia encontrou mais de 200 celulares roubados, que são de diversos modelos e marcas.
“A maioria dos aparelhos foi roubada dentro de ônibus, mas também há telefones que foram subtraídos nas ruas. Não temos como precisar quando esses roubos ocorreram”, afirmou Monteiro.
A operação ocorreu na Serra e em Cariacica. Além dos celulares, a polícia apreendeu outros produtos, como capas, películas, carregadores, teclados e mouses.
“São mercadorias sem nota, sem informações sobre sua origem. Podem até ser produtos furtados de outras lojas”, destacou o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
Segundo o delegado Monteiro, os comerciantes compram os aparelhos diretamente dos assaltantes. “Os ladrões saem oferecendo. Se um não aceita, vão a outro. Alguns criminosos já sabem quem vai querer comprar. Já os donos dos estabelecimentos falaram que compram os celulares de pessoas comuns, nas ruas, de vendedores normais”.
Os comerciantes presos foram autuados por receptação qualificada e foram encaminhados ao Centro de Triagem de Viana (CTV). “Eles foram presos em flagrante. É um crime que não admite fiança. A pena pode chegar a oito anos de reclusão”, disse Monteiro.
Polícia prende 55 por assaltos

“Prendemos 20 indivíduos que cometeram os crimes em regiões já mapeadas. A partir daí, identificamos mais 35 indivíduos e eles foram indiciados por roubo. Todos foram presos. Só existe o roubo porque há pessoas que adquirem esses produtos de origem ilícita”, explicou o delegado Gabriel Monteiro, titular da DCCTP.
Logo depois, a polícia iniciou a segunda fase da operação, que consistiu em prender pessoas que compram celulares roubados sem o objetivo de revendê-los. Dez suspeitos foram presos e autuados por receptação simples.
“São pessoas que compram de conhecidos, nas ruas. Na maioria das vezes, as pessoas sabem que são aparelhos roubados, até mesmo pela diferença de preço e pela pessoa que está oferecendo. Pode ser alguém que a pessoa nem conhece”, disse Monteiro.
Nesses casos, o suspeito responde por receptação simples. “A pena é de um a quatro anos de reclusão e nós arbitramos fiança. Se a pessoa pagar, responde em liberdade. A fiança costuma ser de R$ 1 mil ou R$ 2 mil. Muitas vezes, é mais cara do que se for comprar um celular na loja”, destacou o delegado.
