A secretária colombiana, de 22 anos, que foi agredida com coronhadas na cabeça durante um assalto, na madrugada desta segunda-feira (1), no bairro Praia de Itaparica, em Vila Velha, conversou com a reportagem de A Tribuna.
A vítima afirmou que já tinha sido vítima de assalto uma vez. Ela, que foi rendida junto com a irmã mais nova, de 21 anos, destacou que ficou assustada com a agressividade de um dos três ladrões.
A Tribuna – Como foi o momento em que o criminoso te agrediu com coronhadas?
Secretária – Eu tinha corrido dele, mas voltei e segurei a bicicleta dele porque fiquei com medo que ele roubasse o celular que estava na cintura da minha irmã. Os outros dois já estavam indo embora levando a bolsa dela. Nisso eu agarrei a bicicleta e ele me deu uma coronhada na cabeça. Comecei a gritar, pedindo ajuda e não soltei a bicicleta. Ele me deu mais duas coronhadas na cabeça. Eu acabei caindo no chão e machuquei as minhas pernas.
O que você sentia na hora?
Muita dor. Saía muito sangue e isso me deixou assustada. Eu continuei segurando a bicicleta e gritando para ganhar tempo e para que alguém percebesse o assalto. Nisso algumas pessoas que estavam no posto perceberam.
Como ele conseguiu fugir?
Depois que ele me deu as três coronhadas, eu larguei a bicicleta. Então ele fugiu e algumas pessoas foram atrás dele. Um motorista também foi e logo apareceu um carro de polícia. Não demorou muito e eles foram presos.
Por que você resolveu reagir?
Eu queria ajudar a minha irmã. Foi no impulso. Sei que foi arriscado e perigoso o que eu fiz, mas eu fiz mesmo assim. Eles pareciam estar nervosos, acho que eles nem sabiam roubar direito. Estavam com mais medo do que eu.
Há quanto tempo mora no Estado?
Há um ano. Já morei em Itaparica e achei que lá estava mais tranquilo, pois isso resolvi levar a minha irmã para passear à noite. Mas, pelo visto, não está tranquilo.
Você já tinha sido assaltada?
Não aqui, mas na Colômbia sim. Só que não foi agressivo, eu não apanhei. Já faz algum tempo. Fiquei revoltada com a violência que vivi ontem. O ladrão que me bateu estava muito nervoso, acho que ele poderia ter me matado. Ele só parou de bater quando larguei a bicicleta.
Como vai ficar agora?
Não vou mais sair de casa à noite assim. Minha irmã se assustou mais do que eu, pois ela está aqui há menos de 10 dias. Porém, ainda não penso em voltar para a Colômbia. Graças a Deus, a polícia agiu rápido e a minha irmã conseguiu recuperar a bolsa que foi roubada.
Ladrões queriam pagar dívida por perder revólver em outro crime
Depois que assaltaram duas irmãs colombianas, na madrugada de ontem, no bairro Praia de Itaparica, em Vila Velha, dois adolescentes, ambos de 17 anos, e um de 16, foram presos.
Eles declararam para a Polícia Militar que decidiram cometer o crime, pois precisavam pagar uma dívida referente a um revólver calibre 38 que perderam quando tentaram realizar outro roubo, na Glória, há um tempo.
Em depoimento, os PMs que atenderam a ocorrência afirmaram que estavam fazendo patrulhamento de rotina quando ouviram gritos vindos da Rodovia do Sol. Eles foram informados sobre o assalto e visualizaram um dos criminosos na avenida Luciano das Neves. O adolescente foi perseguido e preso pelos militares. Os policiais pediram apoio e outras radiopatrulhas fizeram buscas.
Um cerco foi montado na região e o segundo adolescente foi preso na rua Santa Terezinha. Já o terceiro menor fugiu pela avenida Santa Leopoldina, foi perseguido e alcançado na rua Ormandino Gomes. Durante a fuga, um dos adolescentes jogou a arma falsa em cima do telhado de uma casa. O objeto foi recolhido pela PM.
Também durante as buscas, os policiais conseguiram localizar a bolsa roubada da jovem minutos antes. Os três adolescentes foram levados para a 2ª Delegacia Regional de Vila Velha.
Depoimento
“Eu não vou andar mais sozinha”
“Percebi que a minha irmã estava sendo agredida e queria muito que ela soltasse a bicicleta do bandido para que ele fosse embora. Fiquei muito assustada e com medo. Até mais que ela.
Cheguei ao Brasil no dia 20 de junho e não esperava passar por isso. Chorei na hora. Eu não vou andar mais sozinha. Tive medo que ele me batesse”.
Colombiana, de 21 anos, vítima
Plano de segurança
Por nota, a Polícia Militar informou que realiza o policiamento ostensivo na região dia e noite. “Todas as ocorrências devem ser registradas, pois é com base nestes registros e no apontamento dos moradores sobre os pontos mais sensíveis do bairro, que a polícia traça seu plano de segurança”, diz a nota.
A polícia ressalta que em casos dos crimes em andamento ou que tenham acabado de ocorrer, a PM deve ser acionada pelo Ciodes-190. Denúncias podem ser feitas pelo 181.
Leia mais