A crueldade de ladrões de celular tem assustado moradores e passageiros de ônibus da Grande Vitória. A demora na entrega do celular foi suficiente para que dois ladrões atirassem no pescoço de um vendedor ambulante, durante um assalto a ônibus, em Castelo Branco, Cariacica.
Mateus Henrique Conceição Lopes, de 21 anos, estava no ônibus da linha 719, voltando para casa, na noite de quarta-feira.
Testemunhas revelaram que os criminosos entraram no coletivo como se fossem passageiros. Eles esperaram o veículo passar por uma rua deserta, no bairro Santa Paula, para anunciar o assalto.
A dupla foi recolhendo os pertences dos passageiros e, quando chegou na vez de Mateus, o vendedor demorou a entregar o celular.
É que, há uma semana, bandidos já tinham levado um aparelho dele. De acordo com a polícia, o jovem comentou com familiares, na ocasião, que tinha se arrependido de não ter reagido.
A suspeita é que, por causa dessa situação, Mateus tenha resistido a entregar o celular novo.
Por conta disso, os bandidos atiraram no pescoço do jovem. Ao ouvir o barulho do disparo, o motorista abriu as portas do coletivo e os ladrões fugiram.
O motorista seguiu até a Unidade de Saúde de Bela Vista, na intenção de socorrer a vítima, mas o local, que fecha às 17 horas, não estava mais funcionando. Matheus Henrique morreu a caminho do hospital.
O caso foi registrado na delegacia como latrocínio (roubo seguido de morte). Até o fechamento desta reportagem, nenhum suspeito tinha sido preso.
Medo
Uma moradora de Vitória, que preferiu não se identificar, revelou que anda com dois celulares, sendo um reserva para os criminosos. “É terrível. Eu vou para a faculdade de noite e tenho muito medo de um dia também levar um tiro”.
Uma artista plástica, de 48 anos, já foi assaltada. “Imagino o que esse ambulante passou. Atualmente tenho dois celulares, mas isso é até ruim de ficar comentando, infelizmente”, afirmou.
Já uma moradora de Vila Velha, que trabalha com recursos humanos, já foi assaltada duas vezes na mesma linha de ônibus quando voltava do trabalho. Ela afirmou que andar de ônibus causa medo.
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Adriana Conceição, mãe da vítima: “Eu estou arrasada”
A capoteira Adriana Conceição Filha, mãe de Mateus Henrique Conceição Lopes, assassinado durante um assalto, em Cariacica, disse que passou a madrugada procurando pelo jovem nos hospitais, achando que ele estava vivo, e só soube da morte brutal depois de assistir ao noticiário.
A TRIBUNA – Como ficou sabendo do assalto?
ADRIANA CONCEIÇÃO – Fiquei sabendo pelos colegas dele, que chegaram lá em casa gritando que ele estava baleado no ônibus e precisava que alguém fosse lá levá-lo para o hospital. Depois do caso é que eu saí e fui atrás dos hospitais para ver se eu conseguia encontrá-lo. Fiquei a madrugada toda procurando e não achei. Fui para casa e pensei: vou descansar meu coração. Hoje cedo vi a reportagem.
Como seu filho era?
Ele era um bom filho, sempre correu atrás de trabalhar, nunca gostou de mexer com nada errado. Eu estou arrasada.
E agora?
Agora espero a justiça divina e a do ser humano, porque é uma vida. Hoje sou mais uma mãe que estou aqui sofrendo. Isso aconteceu não só comigo, mas com várias mães.
Que a pessoa que fez isso possa voltar para o Senhor, abrir o coração dela e se arrepender, porque ela tirou uma vida, tirou um filho de uma mãe.