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Polícia

Dona de casa perde R$ 41 mil ao cair no “golpe do amor”

As palavras doces, um bom papo e promessas de um casamento fizeram com que uma dona de casa, de 36 anos, perdesse R$ 41 mil no chamado “golpe do ...

Última atualização

 (Foto: Kadidja Fernandes)

As palavras doces, um bom papo e promessas de um casamento fizeram com que uma dona de casa, de 36 anos, perdesse R$ 41 mil no chamado “golpe do amor”. Segundo a dona de casa, ela e o ex-namorado, um motorista de aplicativo, de 42 anos, se conheceram em fevereiro do ano passado, por meio de um amigo.

“Eles trabalhavam juntos em uma empresa de reformas. Ele era muito bom de papo, e dizia que fazia faculdade, tinha carro, moto, curso superior, mas tinha perdido tudo por causa de um ex-relacionamento.”

Depois de perder o emprego, a dona de casa contou que ele pediu para passar um tempo em sua casa, até que conseguisse uma nova oportunidade. Nesse período, ele não só a conquistou, mas encantou sua mãe, uma pensionista de 75 anos, que mora na mesma residência.

“Ele foi até o banco com a minha mãe pegar um empréstimo que seria para comprar um carro. O veículo era para a família, para levar minha mãe para passear, ir ao médico, supermercado. Como eu não entendia nada de carro, ele fez a negociação toda.”

A dona de casa relatou que os empréstimos em nome da mãe somaram R$ 41 mil, e que, para realizar a compra do veículo, o valor foi transferido para a conta dele. “Na época da compra do carro, meus documentos chegaram a sumir, tudo tramado por ele. Por isso, o Renaut Logan teve de ser transferido para ele, sob a promessa de depois repassar para o meu nome.”

Segundo a dona de casa, o veículo custou R$ 24 mil e o namorado ficou de devolver o restante (R$ 17 mil), mas disse que ele nunca fez a transferência. “Ele começou a mudar quando conseguiu o que queria. Começou a causar brigas, dizendo que eu estava traindo ele. O ponto final foi quando ele me agrediu e desapareceu com o carro e todo dinheiro.”

A dona de casa ainda disse que, em novembro, após o desaparecimento dele e a agressão, ela registrou a ocorrência na Delegacia da Mulher e na Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso.
Para ela, dois meses após ele ter sumido, a vida mudou completamente. “Não saio mais de casa e vivo à base de medicamentos. O pior é o que ele fez com a minha mãe. Quero justiça para que ele não faça mais isso com ninguém.”

“Dizia que queria se casar comigo”

 (Foto: Kadidja Fernandes)A Tribuna – Quando conheceu essa pessoa?
Dona de casa – Eu estava passando por um período difícil quando fui apresentada a ele por um amigo, em fevereiro do ano passado. Eles trabalhavam juntos na mesma empresa, na área de construção.

E como ele era nesse início?
Parecia uma pessoa maravilhosa, com bom papo. Dizia que fazia faculdade de Pedagogia, que tinha carro, moto, mas a ex-companheira dele tinha feito com que perdesse tudo. Sempre falava que ela tinha vida de dondoca e ele tinha ficado sem nada. Também se mostrava ser uma pessoa de família, que não tolerava desonestidade, mas era tudo mentira.

O namoro começou logo?
Sim, começamos a nos relacionar e, em maio, ele perdeu o emprego. Então, pediu para passar um tempo aqui em casa, pois precisava pagar a pensão dos filhos.

Quando pegou empréstimo?
Eu cuido da minha mãe, que mora na mesma casa e tem 75 anos. A gente sempre levava ela para passear, ir no supermercado, então surgiu a ideia de comprar um carro. Ele fez tudo: foi no banco para que ela pegasse um empréstimo consignado de R$ 41 mil.

E como ele pegou o valor?
Para comprar o carro, transferimos o dinheiro para a conta dele. Ele já tinha tudo pensado, pois nessa época meus documentos sumiram e, por isso, não poderia passar o carro para o meu nome. Então ele colocou no nome dele e combinamos de depois transferir para mim.

Confiava nele?
Sim. Ele convencia qualquer um. Falava que me amava, que queria se casar comigo. O carro custou R$ 24 mil, então ainda sobrou um valor na conta dele que tinha que devolver, mas nunca fez isso. Quando conseguiu o dinheiro, ele começou a mudar.

Mudar como?
Inscreveu o carro para trabalhar em aplicativo. Começou a ficar muito tempo fora de casa, e sempre arrumava desculpa para brigar. Falava que eu estava traindo ele. E nunca devolvia o valor.

Quando descobriu que havia caído em um golpe?
Um dia, peguei a chave do carro e o documento e escondi em casa. Em novembro, quando eu estava fora, ele pulou a janela e conseguiu achar. Depois veio de carro até onde eu estava querendo conversar. Nesse dia ele me agrediu, me puxou pelos cabelos. Eu me tranquei dentro do carro e ele quebrou a janela. Depois sumiu com o veículo e com o dinheiro.

Desde então não o vê mais?
Dias depois, registrei a ocorrência na polícia, por causa do que ele fez com a minha mãe. Ela não merece isso. Está descontando da pensão dela e isso é o que mais dói.

Não recuperou nada?
Nada. Me senti completamente impotente, lesada. Estou vivendo à base de medicamentos. Não consigo sair de casa. Só penso em como uma pessoa pode fazer algo assim.
 

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