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Polícia

Dono de quiosque se pendura no capô de carro de cliente após desentendimento por dívida

Um dono de um quiosque, na Praia de Itaparica, em Vila Velha, de 47 anos, foi parar em cima do capô de carro de um cliente após uma confusão por ...

Última atualização

Foto/ Ilustrativa/Divulgação

Um dono de um quiosque, na Praia de Itaparica, em Vila Velha, de 47 anos, foi parar em cima do capô de carro de um cliente após uma confusão por conta de uma dívida no estabelecimento. Segundo o comerciante, o motorista do veículo percorreu por cerca de 800 metros em alta velocidade e em zigue-zague, para que ele caísse do veículo. Ele não caiu e nem se feriu.

O caso foi por volta das 9h30 da última terça-feira (27), na orla de Itaparica, na avenida Estudante José Júlio de Souza. O motorista do carro, que não quis informar o nome e nem idade para a reportagem, estava ao lado da sobrinha, uma professora de 33 anos.

De acordo com a professora, eles foram até a praia para o tio pagar uma dívida de cerca de R$ 130 feita por ela, durante consumo no final de semana, em um quiosque vizinho ao do quiosqueiro que foi parar em cima do capô.

Segundo informações do quiosqueiro de 47 anos, alguns funcionários relataram que tio e sobrinha chegaram à orla por volta das 7 horas e como não encontraram o estabelecimento da dívida aberto, eles começaram a consumir no quiosque dele. Foram vendidas quatro latas de cerveja e duas águas de coco, saindo num total de R$ 50. Por volta das 8 horas, o quiosque vizinho abriu e tio e professora foram em direção a esse estabelecimento.

Então, uma testemunha contou que a professora teria discutido com a dona do quiosque que abriu às 8 horas, contestando o valor da dívida, e que o tio da professora teria a agredido com um tapa na mão. “Ele até deu um tapa na mão dela, depois que viu a dona do quiosque filmando ele e a sobrinha. Com o tapa, o celular dela caiu no chão”, alegou essa testemunha.

Segundo o proprietário do quiosque em que os clientes estavam na manhã de terça-feira, após a discussão no estabelecimento vizinho, tio e professora entraram no carro e um de seus funcionários viu que eles estavam indo embora e foi até eles dizendo para pagar o que consumiram no local.

O garçom pediu ajuda ao patrão. “Eu fui em seguida até o carro e pedi para eles pararem para conversamos. Eles jogaram o carro de um jeito que para eles não escaparem subi no capô do veículo”, contou o patrão.

O que o proprietário não contava é que o motorista continuaria dirigindo. “Eles dirigiam em alta velocidade. Gritava para eles pararem e as pessoas na orla também gritaram,mas eles só pararam quando o sinal fechou. Se soubesse que a dívida era de R$ 50, nem teria feito isso”.

A Guarda Municipal de Vila Velha foi ao local e todos foram conduzidos para a 2ª Delegacia Regional de Vila Velha. A professora contestou e disse que não iria sair sem pagar a conta. “Entrei no carro para ir até a polícia, não para fugir. Quando ele subiu em cima do carro, fiquei com medo de ele estar armado e por isso não paramos o veículo”, contou.

Na delegacia, eles foram ouvidos e liberados.

Os nomes não estão sendo publicados na reportagem, uma vez que as partes foram ouvidas e liberadas na delegacia.

“Se eu caio com certeza morreria”, diz dono de quiosque

Um dono do quiosque de 47 anos contou que ficou em cima de um capô do carro de um cliente após desentendimento deu entrevista. O caso foi ontem na orla de Praia de Itaparica.

>A Tribuna – O que aconteceu?

>Dono de quiosque –  Meu garçom me avisou que clientes estavam saindo sem me pagar. Até então não sabia que eles tinham arrumado confusão cedo com minha vizinha (quiosque vizinho). Pedi a ele ir lá e cobrar. Quando ele chegou perto, eles fecharam o vidro do carro e continuaram andando do mesmo jeito. Meu garçom me avisou. O sinal fechou e para sair do estacionamento na orla, eles pegam a avenida e aí não tinha como (sair). Fui na frente do veículo e pedi para eles abrirem a janela do motorista para conversarmos. Ele acelerou e eu segurei no capô. Fiquei uns 800 metros assim.

>Pedia para ele parar?

Falava sim. Pedestres do calçadão e eu pedíamos para ele parar. Só consegui descer quando o sinal fechou e o carro parou. O limpador caiu na minha mão porque eu segurei. Vim andando de volta para o quiosque falando com a polícia (em ligação). Eles (clientes) abordaram a guarda e ela começou a dizer que havia sido agredida.

>Agiu no impulso?

Acredito que foi momento de defesa. Como ele acelerou, não tinha muita opção. Se eu pulasse, ele passaria em cima das minhas pernas, pois não tenho muita elasticidade. Se ele dirigisse devagar, eu desceria. Mas como ele dirigiu rápido.
Se eu caio com certeza morreria. Saí do carro e não conseguia me mexer direito. O modelo do carro ajudou com que eu segurasse no capô do carro. Se soubesse que era por R$ 50 não teria feito isso.

>E a ocorrência foi categorizada como tentativa de homicídio?

Eu acho que isso é uma tentativa de homicídio, não trânsito. Trânsito é quando eu passo por um descuido o cara me atropelar. A partir do momento em que um homem bota 100 quilômetros por hora na velocidade de um carro e fazendo zigue-zague para a pessoa cair de cima, isso é uma tentativa de homicídio.


“Fiquei com medo dele estar armado”, diz professora.

>A Tribuna – Confirmam que foram na praia para que seu tio pagasse uma dívida num quiosque?

>Professora – Sim. Foram gastos de domingo no quiosque. Fui antes de ontem (segunda-feira), ontem (terça-feira) para tentar pagar a conta e não consegui.

> Porque?

Essa dívida era de cerca de R$ 130 e a mulher (dona do quiosque) aumentou a R$ 500 redondo, falando que a gente consumiu. Essa conta não era minha. Ela disse que essa conta era minha. Eu moro nos Estados Unidos há 11 anos e vim passar férias, me divertir, comer peixe na praia e aconteceu tudo isso.

> O dono do quiosque afirma que vocês iriam sair sem pagar a conta. Consumiu algo lá?

Sentei do lado para esperar. Bebi água de coco. A conta deve ter dado no máximo R$ 20.

>Mas qual confusão aconteceu?

Eu liguei para a polícia, pois vi que não ia ter como eu pagar a conta. Liguei duas vezes para a polícia. Disse: “Espera aí que eu já volto”. Os homens tomaram as dores da mulher e pularam em cima do meu carro, assustando a mim e a minha família. Quando vi ele (dono do quiosque de 47 anos) pulou em cima do carro e não queria sair. Eles e outros bateram forte no vidro e o vidro rachou por dentro. Fui até o final da rua para poder chamar a polícia.
>Fiquei com medo dele estar armado e ficamos com medo. Vou procurar meus direitos.

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