Drogas trazidas da Colômbia, Peru e Bolívia eram vendidas por uma quadrilha no Espírito Santo. Um suspeito, de 35 anos, que é apontado pela Polícia Federal como o responsável por distribuir essa droga nas cidades capixabas foi preso nesta terça-feira (5), em Cariacica, durante uma operação.
Segundo a PF, o suspeito é de Minas Gerais e fazia ainda a distribuição da droga para municípios do leste mineiro. No Espírito Santo, a cocaína trazida pelo grupo do exterior abastecia o tráfico em cidades da Grande Vitória e também do interior.
O superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, delegado Eugênio Ricas, explicou que em território capixaba foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e um de busca e apreensão durante a operação que foi realizada em 10 estados do País.
“Essa droga vem da Colômbia, da Bolívia e do Peru. Essas organizações criminosas adquirem essa droga de traficantes internacionais. Eles contratam uma logística para entrar com essa droga no País pelas fronteiras e, depois, outras quadrilhas são responsáveis pelo transporte dessas drogas para os centros urbanos. As organizações dependem de outras quadrilhas, cada uma responsável por uma parte da logística”, explicou o superintendente.
Para entrar no Brasil com a droga, os traficantes utilizavam tanto veículos, onde escondiam as drogas em carros e caminhões, quanto pequenos aviões com rotas em pistas clandestinas na amazônia, por exemplo.

A Polícia Federal ainda investiga se empresas de fachada, imóveis e veículos foram adquiridos no Estado para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Para combater essas organizações, o superintendente afirma que é necessária a criação de uma força-tarefa com os demais agentes de Segurança Pública, que é uma proposta da Polícia Federal.
“A gente está propondo aqui a criação de uma força-tarefa do Estado com a parceria de outras forças de segurança porque essa operação de hoje demonstra de forma muito clara que a melhor forma de combater essas organizações criminosas é fazer investigações robustas que vão do início ao fim. Ela não para com a prisão do indivíduo e a apreensão das armas e drogas. A gente precisa descapitalizar essas organizações criminosas”, defendeu.
Segundo Ricas, na próxima semana, a PF assina acordo de cooperação técnica com a Prefeitura de Vila Velha e com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para essa força-tarefa.
Operação Balada
A operação foi deflagrada em Uberlândia (MG) com o objetivo de desarticular organização criminosa especializada no tráfico de drogas e de armas de grosso calibre e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões, em decorrência das atividades criminosas.
Cerca de 850 policiais federais cumprem 247 mandados de prisão e 249 mandados de busca e apreensão, além de centenas de outras medidas cautelares, como sequestro de bens e bloqueio de contas correntes, expedidos pela 4ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, nos estados de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Alagoas, Tocantins e Espírito Santo.
A organização operava um estruturado esquema de tráfico de drogas e preparava entorpecentes para comercialização, mediante emprego de insumos químicos adquiridos por meio de empresas regularmente cadastradas. No período de sete meses, foram comprados, no mercado regular, insumos capazes de manipular mais de 11 toneladas de cocaína.
A droga era remetida dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Rondônia, armazenada no Triângulo Mineiro e, posteriormente, distribuída a várias regiões do País, em especial os estados de Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
As investigações revelaram, também, que o grupo atuava no tráfico ilegal de armas de fogo de grosso calibre. No curso dos trabalhos, foi apreendido um carregamento de 8 fuzis e 14 pistolas, em março de 2020, na cidade de Uberlândia.
O armamento comercializado pelo grupo era adquirido no Mato Grosso do Sul, transportado para Uberlândia, e, posteriormente, destinado a grupos da região do Triângulo Mineiro, especializados no tráfico de drogas e roubos a banco, bem como a uma facção criminosa estabelecida no Rio de Janeiro (RJ). Os investigados utilizavam veículos especialmente preparados para o transporte das armas, com emprego de batedores durante os seus deslocamentos.
Para dissimular a origem criminosa do patrimônio acumulado, a organização criminosa utilizava um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, com a utilização de empresas de fachada e a aquisição de postos de combustíveis, hotéis, fazendas, imóveis, veículos e embarcações de luxo.
Estima-se que mais de R$ 2 bilhões foram movimentados pelos investigados nos últimos dois anos. As contas bancárias e bens identificados foram bloqueados por determinação judicial, assim como aproximadamente uma centena de imóveis.
A operação foi deflagrada com apoio da Polícia Penal da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, que colaborou com um efetivo de 35 policiais penais, para custódia e transporte dos presos.
