
A técnica em enfermagem Nair Mendonça, de 53 anos, é viúva de um capitão da PM e faz um trabalho voluntário com policiais militares que estão passando por problemas.
Ela contou que o soldado a avisou que estava indo para o sítio, na zona rural de Guarapari, por volta do meio-dia de sábado. Ele morreu na manhã de domingo (19), com um tiro no ouvido.
A Tribuna – Quando se falaram pela última vez?
Nair Mendonça – Ele me avisou por telefone que estava indo para o sítio. Ele sempre ia para lá. Eu ainda não sabia que o que estava acontecendo. Quando acabei de falar com ele me ligaram informando que ele matou uma pessoa na boate. Liguei para ele (o soldado) de novo, e foi quando ele me disse “é o fim, é o fim”.
Como soube da morte?
Hoje (ontem) pela manhã me ligaram dizendo que tinha acontecido uma tragédia. Perguntei o que houve, e me disseram que o policial se matou. Eu que chamei a polícia pra avisar.
Como recebeu a notícia?
Ele era um filho pra mim. Sempre ia para o sítio e sabia onde a chave ficava. Estou sem palavras. Era um grande sonho dele ser policial, e eu acompanhei ele estudando dentro de um quartinho, porque os pais dele eram da roça.
Por que a senhora acha que ele se envolveu nessas situações?
Eu tenho certeza que ele estava com problemas psicológicos. Na semana passada o pai dele me ligou e me disse que ele não voltava mais pra casa. Ele me tinha como uma mãe. Fui na casa do pai dele, para conversar. Perguntei o que estava acontecendo, e ele disse que estava de namorada nova. Perguntei se aquilo era motivo para ele não retornar para casa, e ele me disse que estava na casa dela.
A senhora pediu que um pastor fosse até ele ontem?
O pastor foi lá ontem à noite (sábado). Chorando, ele disse ao pastor que estava tudo acabado. Ele chegou a confessar todo o arrependimento dele, do que aconteceu na boate. Eu acho que ele não suportou porque morreu uma mulher.