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Polícia

Empresária é dopada durante encontro e tem prejuízo de R$ 100 mil

A beleza, a simpatia e o bom papo escondiam as reais intenções de um rapaz de 34 anos. Após conhecer uma empresária, de Vitória, de 55 anos, em um ...

Empresária, depois de dopada, teve carro, celular e cartão de crédito levados pelo golpista, que está foragido

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Empresária, depois de dopada, teve carro, celular e cartão de crédito levados pelo golpista, que está foragido (Foto: Kadidja Fernandes/AT)

A beleza, a simpatia e o bom papo escondiam as reais intenções de um rapaz de 34 anos. Após conhecer uma empresária, de Vitória, de 55 anos, em um aplicativo de relacionamento, ele é suspeito de ter dopado a mulher e roubado o carro dela, avaliado em R$ 100 mil, além de furtar celular e cartão de crédito.

O homem está foragido e o carro e os pertences da empresária não foram encontrados.
Segundo a mulher, ela conheceu o suspeito há cerca três semanas por meio do aplicativo e ele dizia que trabalhava para uma organização social destinada a recuperar jovens viciados em álcool e drogas, em Jacaraípe, na Serra.

“Ele disse que estava morando há dois meses no Estado. Há pouco mais de uma semana, ele contou que brigou com pessoas ligadas à diretoria dessa casa onde trabalhava, pois teria sido roubado. Disse que iria para São Paulo trabalhar na unidade de lá, mas que teria que esperar sua mãe transferir o dinheiro”.

Enquanto aguardava por essa ajuda, ele pediu para ficar em um sítio da empresária. “Ele falou que era só uns dias, e sempre falava que a mãe iria mandar o dinheiro no dia seguinte”.

Ela revelou que, após cinco dias no sítio, eles saíram para comer algo na última sexta-feira e ele insistiu que ela tomasse uma dose de campari, que buscou no bar.

“Disse que não bebia aquilo, mas ele insistiu muito. Pedi uma água tônica e bebi um pouco. Na mesma hora comecei a me sentir mal. Não tinha tomado mais nada”.

Segundo a mulher, ela não se lembra de mais nada do caminho para casa. Só se lembra quando acordou na madrugada de sábado, na sala, sem celular, cartão e chaves da casa e o carro. “Ainda meio grogue, consegui pegar uma carona para ir até a delegacia. Falei com a milha filha. Nisso ele postou vídeos nas redes sociais com meu carro, enquanto bebia cerveja”.

Após pesquisas na internet, ela conseguiu identificar o rapaz que se apresentou com o nome falso de Thiago Delcolle Lima. Na internet, reportagens apontam o suspeito como responsável por golpes conhecidos como Don Juan em outros Estados.

“Bebi uma dose e não lembro mais nada”

Ainda em choque após ter sofrido um golpe, a empresária de 55 anos contou como conheceu o homem de 34 anos e como ele usou a conversa dissimulada e a insistência para conseguir roubar seus pertences e o seu carro.

A Tribuna – Como conheceu esse homem?
Empresária –
Foi por meio de um aplicativo. Nunca gostei dessas coisas. Sempre preferi o olho no olho, mas estava solteira, depois de um relacionamento longo, e uma amiga insistiu que eu entrasse. Ela mesma começou a responder a ele com o meu celular. Era uma pessoa muito bonita, bem-vestida, conversava muito bem.

Se encontraram pessoalmente?
Depois de alguns dias conversando a gente se encontrou. Ele dizia que trabalhava na administração, um cargo alto, dentro de uma organização para recuperação de jovens viciados em álcool e drogas, que tem sede em vários estados. Segundo ele, há dois meses estava em uma sede em Jacaraípe, na Serra. Mas há mais de uma semana brigou com um dos diretores lá e saiu da casa onde estava.

Acreditou nele?
Eu ouvi ele brigando com a pessoa da casa por telefone. O motivo é que teria sido roubado. Ele disse que precisava de um lugar para ficar até conseguir dinheiro para ir para São Paulo. Chegou a me pedir, mas eu neguei.

Depois ele disse que a mãe dele iria transferir no dia seguinte. Aí ele ficou em um sítio que eu tenho. Como tinha caseiros, eu permiti. Todo dia ele dizia que iria sair, mas que tinha dado algum problema e acabava ficando mais.

E quando aplicou o golpe?
Na sexta-feira, ele avisou que sairia no domingo. Saímos para comer e, lá, ele se levantou e foi no bar pedir uma bebida. Veio com um copo de campari, sendo que eu não gosto. Ficou insistindo que eu bebesse puro, que era bom.

Eu disse que não gostava e pedi uma água tônica para beber junto, depois de muita insistência dele. Bebi um pouco e não lembro mais de nada.

Quando acordou?
De madrugada, deitada no sofá. Meu celular tinha sumido, a chave da casa e o carro. Ele ainda fez um saque de R$ 200 com meu cartão, pois não conseguiria sacar mais. Eu nem sei como, saí de casa e consegui uma carona até a delegacia da Serra, onde registrei a ocorrência.

Nada foi recuperado?
Até o momento não. No mesmo dia em que saiu da minha casa com as minhas coisas, ele ainda postou nas redes sociais dele dirigindo o meu carro, com cervejas na mão. Curtindo. Minha filha viu e chegamos a informar as polícias Civil e Militar, mas eles disseram que não tinham como fazer nada naquele momento. Só hoje (ontem) foi ouvida na Delegacia Especializada de Defraudações, mas o delegado não estava no local.

Qual o sentimento que fica?
De muita raiva e frustração por ter sido enganada e por passar o fim de semana tentando buscar informações sozinhas. Eu e minha filha descobrimos que o nome que ele usava era falso e que ele já tinha sido preso outras vezes por aplicar esse tipo de golpe em outros estados.

Números privados e outros até 027, que descobrimos que a pessoa estava no Paraná. Mandaram mensagem para minha filha pedindo R$ 2 mil, depois R$ 4 mil pelo “resgate” do meu carro. Diziam que se a gente depositasse eles iriam abandonar o veículo em um lugar.

Tinha sentimento por ele?
Não. Não chegamos a ter um relacionamento sério, nem nada. Nem estava atraída por ele. Mas ele foi me envolvendo em toda a trama dele, na história de que precisava de um lugar. E, como estelionatário, era muito envolvente. Fazia amizade com as pessoas próximas muito fácil. Eu já sempre tive um pé atrás com essa questão de conhecer alguém pela internet, agora a gente fica mais receosa.


Riscos de encontros marcados pela internet


"Grande parte dos golpes aplicados tem como alvo vítimas da terceira idade”, disse Eduardo Pinheiro, especialista em Tecnologia da Informação (Foto: Divulgação)

No período de pandemia, tem aumentado os crimes virtuais e ações de golpistas profissionais que roubam dinheiro, ou não, enganando mulheres por meio de sites de relacionamento. O especialista em crimes eletrônicos, Eduardo Pinheiro, alerta para os primeiros encontros marcados pelas redes sociais.

“A palavra de ordem é desconfiar sempre”, disse. Mesmo sendo respeitadas todas as dicas que possam ser dadas, sempre existirá o risco, que não é baixo, afirma o especialista.

“A dica mais importante e eficiente de todas é no sentido de evitar, a todo custo, se relacionar com estranhos na internet”, enfatizou Pinheiro.

Entretanto, se isso realmente não for possível, existem algumas dicas que podem tirar qualquer mulher, que são as maiores vítimas, de situações de perigo real.

“Ao conhecer e se relacionar com alguém pela internet, mantenha uma pessoa de confiança bem informada dos acontecimentos e locais de encontros para servir como ‘anjo da guarda’ e testemunha dos fatos”, disse.

Além disso, Pinheiro orienta que nunca se deve enviar fotos íntimas para o seu “Romeu”, pois podem ser usadas para uma chantagem financeira, caso a pessoa esteja atuando de má-fé.

“Outra dica importante nesses casos é que a pessoa registre e salve todos os diálogos e sempre desconfie das características e histórias relatadas pelo suposto amor”, explicou.

Encontro

O especialista, reforça ainda que se for marcar um encontro, que seja em um local com grande circulação de pessoas e avise a um parente ou pessoa de confiança. “O ideal é nunca ir sozinha para encontrar a pessoa, pois todo cuidado é pouco”, orientou.

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