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Polícia

Empresária tem linha de celular roubada e leva prejuízo de 30 mil

Dependente do celular para tocar os negócios, uma empresária viu sua vida virar de cabeça para baixo depois que teve sua linha celular roubada por ...

Yara Marchioni acumula um prejuízo em dívidas e compras que assegura que não fez. Ela registrou três boletins de ocorrência

Última atualização

Yara Marchioni acumula um prejuízo  em dívidas e compras que assegura que não fez. Ela registrou três boletins de ocorrência (Foto: Antonio Moreira/AT)Dependente do celular para tocar os negócios, uma empresária viu sua vida virar de cabeça para baixo depois que teve sua linha celular roubada por golpistas. O pesadelo de Yara Marchioni Cézar, que tem 39 anos e trabalha com vendas online, começou no dia 5 de junho e até agora ela já acumula prejuízo de cerca de R$ 30 mil em dívidas e compras que assegura que não fez.

Ela conta que os problemas começaram com o seu celular ficando sem sinal. “Usei outro telefone e liguei para a Claro, que é a nossa operadora. Me disseram que estavam fazendo uma atualização e tudo se normalizaria. Só que depois desse episódio, tive uma sequência de problemas e justificativas até descobrir que a linha tinha sido roubada, ou seja, já não estava mais no CPF do meu esposo.”

Seu advogado, Gustavo Martinelli, contou que a sua cliente foi vítima de um golpe chamado SIM Swap, cujo objetivo é enganar a autenticação de dois fatores (camada adicional de segurança para o processo de login da conta, exigindo que o usuário forneça duas formas de autenticação), fazendo com que o telefone do criminoso se passe pelo telefone da vítima.

“Assim o criminoso consegue ter acesso às contas da vítima, como e-mail, rede social. Só de conseguir acesso ao e-mail da vítima, ele pode potencialmente conseguir trocar a senha de qualquer outra conta dela, ou até mesmo criar novas contas em outros sites, como de rede sociais e sites de e-commerce.”

Foi isso que aconteceu com a empresária. Os criminosos conseguiram transferir R$ 1.500 para a conta deles, além de realizar empréstimos e compras, como iPhone, TV de R$ 11 mil, lava-louças, entre outras transações. Preocupada, ela registrou três boletins de ocorrência e vai acionar a Justiça.

O advogado Gustavo Martinelli disse que já atuou e atua em outros casos semelhantes.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil para falar sobre este e outros casos, mas, por nota, obteve a resposta de que não teria como atender a demanda ontem com os dados solicitados.

Além disso, solicitou que as pessoas que forem vítimas de golpe como este realizem o registro na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Eletrônicos, na avenida Marechal Campos, 1236, no bairro Nazareth, Vitória, onde todos os fatos são apurados.

“A cada dia descubro uma compra”

A Tribuna – Como descobriu que estava sendo vítima de uma fraude?
Yara Marchioni Cézar – Eu fiquei sem sinal no celular no começo de junho, quando estava em Guarapari. Era um sábado. Liguei para Claro e eles falaram que estavam fazendo uma atualização e após quatro horas seria restabelecido, o que não aconteconteu. Não sei se o golpe começou aí, mas foi tudo estranho.

O sinal foi restabelecido?
Fiz tudo o que eles pediram e no domingo ainda estava sem sinal. Liguei novamente e falaram que devia ser problema no meu chip e que eu tinha que procurar uma loja.

Foi uma semana muito corrida e não conseguir ir ao shopping. Fiquei trabalhando de casa só pelo Wi-Fi e Instagram, pois tenho uma loja online. Só no sábado fomos ao shopping e o funcionário da operadora disse que o chip tinha queimado. Comprei um novo.
 

Celular funcionando?
Sim, até o dia 29 de junho, quando fiquei sem sinal novamente. Achei que era o mesmo problema. Usei o aparelho pelo Wi-Fi. Passou meia hora, recebi uma mensagem do Mercado Pago de que a minha transferência não pôde ser concluída, só que eu não estava fazendo uma transferência.

Vi que tinha R$ 2.795,00 na conta. Transferi R$ 2.700, mas os bandidos transferiram o restante. Percebi que era um golpe. Tentei acessar outras plataformas e vi que eles tinham trocado as senhas. E perdi o acesso ao WhatsApp.

Fui na loja da Claro e descobri que a linha, que era no nome do meu marido, tinha sido movida para outro chip dentro do sistema deles. Roubaram a linha! Quando fomos trocar o número, descobrimos que o CPF e RG eram de outra pessoa. Procurei a polícia, cancelei cartões de crédito, só que eles foram fazendo compras e transferências.

O que mais de prejuízo?
Dia 5 de julho, cadê meu sinal de telefone? Tudo se repetiu, enfim acumulo uma dívida de cerca de R$ 30 mil. A cada dia descubro uma nova dívida, uma nova compra. Eu não paguei e não vou pagar contas que não são minhas. Temo que meu nome seja negativado.


COMO É O GOLPE


O que é?

  • Chamado de SIM Swap, este tipo de golpe consiste em transferir a linha telefônica para um chip SIM diferente do que está no telefone celular da vítima.
  • Sendo desta maneira, a primeira coisa que precisa acontecer é o golpista conseguir o número de telefone da vítima.

Transferência da linha

  • Para conseguir o número da vítima, o golpista normalmente conta com a “ajuda” de um funcionário da operadora ou alguém que tenha acesso ao sistema das operadoras (como ex-funcinários), segundo investigações da polícia.
  • Desta forma, o golpista passa a controlar a linha telefônica da vítima, que só percebe quando tenta utilizar seu telefone.

Prejuízos

  • Depois que o golpe do SIM Swap é feito e o criminoso controla o número de telefone, fica fácil para ele acessar o WhatsApp da vítima, acessar seus perfis de redes sociais, ter acesso a senhas e realizar compras e empréstimos de toda a natureza.
  • Caso a pessoa use autenticação em duas etapas, via código enviado por SMS, é só pedir que essas informações sejam mandadas para o número do celular da vítima – que está sob o controle do criminoso.

Autenticação

  • Atuando no caso da empresária Yara Marchioni Cézar, o advogado especialista em Direito Digital, Gustavo Martinelli, explica que esse golpe só é possível quando a autenticação de dois fatores ocorre via SMS (torpedo), já que as senhas são informadas por torpedo e o golpista, que está sob o controle da linha, acaba tendo acesso aos dados da vítima e “faz a festa”.
  • Por isso, ele recomenda que a autenticação de dois fatores ocorra via um app (aplicativo) específico para esse fim, como é o caso do Google Authenticator.
Fonte: Gustavo Martinelli, advogado especialista em Direito Digital.

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