
Para despistar a fiscalização, as peças e acessórios das armas eram enviados, desmontados, junto a outros produtos que têm exportação permitida, como andadores, peças de motocicletas, churrasqueiras, barracas de camping.
Ainda como parte do plano, os criminosos usavam um longo caminho até que as armas chegassem a seu destino final. As mercadorias eram embaladas e despachadas por uma empresa privada que faz entrega de correspondências.
A porta de entrada no Brasil era o Aeroporto Internacional de Viracopos (São Paulo). Em seguida, a mercadoria seguia para o Aeroporto de Vitória. Já em solo capixaba, os produtos eram distribuídos a integrantes da organização criminosa em Cariacica e só depois chegava a seu destino final: as mãos de traficantes de morros da capital.
Segundo o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio e Tráfico de Armas (Delepat), delegado federal Lorenzo Fontes Espósito, o empresário capixaba mora nos Estados Unidos há alguns anos e seria o responsável por enviar as armas para o Estado.
“Ele aparentemente leva uma vida normal nos Estados Unidos. Comprar esse armamento lá não é crime. No entanto, ele usava de meios fraudulentos para enviá-lo ao Brasil. Identificamos 14 remessas suspeitas no período de um ano e conseguimos interceptar duas”, disse Espósito.
Ontem, na segunda fase da Operação Desmonte, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Cariacica. Um dos alvos era uma pessoa que foi flagrada recebendo uma das cargas, em 2016, na primeira fase da operação.
“Ele chegou a ser preso na ocasião, mas está respondendo em liberdade. O outro alvo seria o superior hierárquico dele, apontado como o chefe da organização.”
Foram apreendidos materiais como celulares, documentos e mídias, que serão periciados.
Como funcionava o esquema
Armas dos Estados Unidos
- O empresário é acusado de comprar fuzis, aparentemente, de forma legal, nos Estados Unidos.
- Ele enviava as peças dessas armas e acessórios via Fedex (Serviços Expressos de Entrega, Transporte e Remessa) junto com produtos metálicos lícitos, como andadores, peças de motocicletas, churrasqueiras, barracas de camping, a fim de disfarçar o conteúdo. O que é ilegal.
- As encomendas chegavam ao País de avião, passando primeiro pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, São Paulo. Depois, seguiam para o Aeroporto de Vitória.
- Da capital, as encomendas seguiam para os endereços de receptadores, principalmente em Cariacica.
- Eles faziam contato com o chefe da organização criminosa, também da Grande Vitória, que era o responsável por combinar a entrega do material aos traficantes de morros da capital.
- O que a Polícia Federal ainda quer descobrir é quem é o armeiro que montava essas armas e as entregava aos criminosos.
Leia a reportagem completa no jornal A Tribuna desta quarta-feira (23).