Dois empresários e um enfermeiro foram presos nesta terça-feira (16) acusados de falsificar e fornecer materiais médicos hospitalares descartáveis reutilizados, como se fossem novos. As prisões fazem parte da Operação Lama Cirúrgica, executada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) por meio do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc).
Os detidos são os empresários Marcos Roberto Khroling, de 37 anos, e Gustavo Deriz Chagas, de 40 anos, e o enfermeiro Thiago Waiyn, de 35 anos. Segundo a Sesp, eles distribuíam o material – reprocessados ilicitamente – a hospitais particulares da Grande Vitória, como sendo produtos novos.
Tal conduta, segundo a Sesp, pode oferecer danos à saúde dos pacientes. Pelo menos um hospital da Serra foi identificado utilizando os materiais fornecidos pela quadrilha.
Os três presos são suspeitos de formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, estelionato e adulteração de produtos destinado a fins medicinais.
Investigações
A Sesp informou que a investigação começou em outubro do ano passado, quando o Nuroc, a Vigilância Sanitária do Estado e a Vigilância Sanitária da Serra, encontraram produtos médicos e etiquetas de identificação dos produtos com indícios de irregularidades. A partir deste primeiro caso, o grupo descobriu que os produtos fornecidos pela quadrilha continham adulteração em códigos de registros, número de lotes, data de fabricação, modelo e supressão de informação técnica.
Outra descoberta feita durante as investigações foi um dos produtos que, reprocessado de forma ilícita, foi reaproveitado 2.536 vezes.
“O reprocessamento ilícito de produtos de uso único, além de configurar infração sanitária, pode elevar os riscos de infecção ao paciente em razão da dificuldade de se garantir a limpeza adequada do produto e do respectivo comprometimento do processo de esterilização, bem como elevar os ricos de natureza infecciosa, tais como falha na utilização do produto, perda de desempenho, retenção de corpo estranho no paciente, intoxicações, dentre outros, em razão da possibilidade do agente de esterilização poder modificar a matéria prima do produto para a saúde”, afirmou a Sesp al em nota.
A Sesp afirmou ainda que as investigações vão continuar nos próximos dias e novas ordens judicias e prisões cautelares podem ser cumpridas. O Núcleo irá investigar a participação de hospitais privados e distribuidoras de produtos para a saúde, afim de evitar que novos casos como este aconteçam.
