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Polícia

Encapuzados fazem dono de sítio refém em Viana

Por cerca de 40 minutos, um comerciante de 51 anos ficou sob a mira de uma arma e sendo feito refém por assaltantes encapuzados na madrugada deste ...

Comerciante: mãos amarradas

Última atualização

Por cerca de 40 minutos, um comerciante de 51 anos ficou sob a mira de uma arma e sendo feito refém por assaltantes encapuzados na madrugada deste sábado, no bairro Formate, zona rural de Viana. Um dos ladrões estava armado e fez ameaças de morte à vítima. Três suspeitos acabaram detidos pela Polícia Militar.

Lincoln Ferreira Stein, de 23 anos, Lucas Mariano Ferreira de Oliveira, 24, e Elvison de Andrade Grijó, 33, foram presos antes mesmo de fugirem do local. De acordo com o comerciante, que pediu para não ser identificado, tudo começou por volta de 2h30. A vítima tinha acabado de acordar e estava se preparando para ir trabalhar.

Vítima contou que bandidos usaram fios para prender suas mãos e reviraram a casa atrás de objetos. Quando colocavam as coisas no carro, a PM chegou (Foto: Antônio Moreira/AT)

O comerciante revelou que quando chegou na garagem do sítio, para pegar um caminhão, foi abordado por Lucas, armado com uma pistola nove milímetros que tinha mira laser, e Lincoln. Os dois estavam encapuzados e anunciaram o assalto. A mulher do comerciante, uma auxiliar administrativo de 45 anos, percebeu a ação criminosa e conseguiu fugir com o filho do casal, de 11 anos.

Elvison ficou em um Gol branco, na entrada do sítio, esperando os cúmplices para dar fuga. “Eles falaram que queriam dinheiro e eu entreguei cerca de R$ 1.000 que estavam no caminhão. Me levaram para dentro da casa. Percebi que a minha mulher já não estava mais lá”, revelou o comerciante. Ele declarou que, nesse momento, foi amarrado com as mãos para trás e deixado em um corredor da casa.

“Eles usaram fios para me amarrar e o tempo todo mantinham a arma apontada para a minha cabeça. Me ameaçavam de morte e exigiam que eu falasse onde ficava o cofre da casa. Só que eu não tenho cofre nenhum. Depois amarram os meus pés e me colocaram no banheiro”, disse.

A vítima destacou que os suspeitos reviraram a casa em busca de objetos de valor. “Pegaram três televisores, um celular e joias da minha mulher. Também pegaram mais uns R$ 5.300 em dinheiro que estavam no guarda-roupa de um dos quartos. Pegaram a chave de um Corolla e de uma Hilux e iriam roubar os dois carros.”

Parte dos objetos já estava sendo colocado dentro dos carros quando a PM chegou. Elvison foi preso na entrada do sítio e os outros suspeitos na casa.

“Acho que eles iam me matar mesmo”

Ainda muito abalado após ser mantido refém por criminosos armados, dentro do sítio onde mora, em Formate, Viana, o comerciante de 51 anos conversou com a reportagem de A Tribuna e disse que pensou que fosse morrer.

A Tribuna – O senhor tem a mesma rotina todos os dias?
Comerciante –
Sim, de quarta-feira a domingo a minha rotina é a mesma. Eu acordo de madrugada para entregar os produtos que cultivo e compro na região.

Comerciante: mãos amarradas (Foto: Antônio Moreira/AT)O que os criminosos falavam durante o assalto?
Me ameaçavam de morte e perguntavam onde estava o cofre. Falaram ainda que se os carros tivessem rastreador, iriam voltar e matar a minha mulher e o meu filho. Fiquei com medo.

Por quanto tempo o senhor foi mantido refém?
Por cerca de 40 minutos. Eles queriam dinheiro e joias e falaram que iriam atirar diversas vezes. Eu acho que eles iam me matar mesmo. Foi desesperador para mim.

Quando te levaram para a casa, sua mulher já tinha fugido. O que o senhor pensou?
Imaginei que ela tinha percebido o assalto e saído de casa. E isso me deixou um pouco aliviado.

O que os bandidos conseguiram pegar?
O celular do meu filho, três televisores, joias da minha mulher, mais de R$ 6 mil em dinheiro, a chave do Corolla e a chave da Hilux. Parte dos objetos eles já tinham colocado dentro de um dos carros. Acho que o resto eles iriam colocar no outro carro. Mas foi nesse momento que a Polícia Militar chegou. Fiquei surpreso quando vi os policiais chegando.

Quem foi que ligou para os policiais?
Depois que a minha mulher fugiu, ela foi para a casa da minha mãe com o meu filho e pediu ajuda. Eles também estavam acordados, pois iriam sair comigo para fazer as entregas. Meu cunhado ligou para a PM. Minha família salvou a minha vida. Graças a Deus eles conseguiram sair antes.

O que o senhor pensava enquando ficava sob a mira de uma arma, sendo feito refém?Pistola usada pelos criminosos (Foto: Antônio Moreira/AT)
Pensava em Deus, na minha família, no meu filho. O pior de tudo para mim foi o terror psicológico. Não me agrediram fisicamente. Agora fica o medo, a revolta, a preocupação. É uma mistura de sentimentos muito grande.

Pretende mudar alguma coisa de sua rotina?
Não sei o que vou fazer daqui para frente. Não tenho mais nem ânimo para ir trabalhar. Acordar cedo e trabalhar duro todos os dias para passar por isso é complicado.

O senhor já tinha passado por isso antes?
Dessa forma, não. Já fui assaltado em fevereiro de 2017. Estava de carro com minha mulher e o meu filho e levei uma fechada. Eles nos renderam, levaram pertences, mas não foi violento como dessa vez.

Há quanto tempo o senhor mora no bairro?
Há 51 anos. Nasci e cresci aqui e assaltos ocorrem de vez em quando. Dessa vez a polícia chegou rápido e conseguiu prender os três. Só espero que a lei seja cumprida e que eles passem um bom tempo presos. Mas, nunca se sabe.
 

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