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Especialistas temem onda de golpes e fazem alerta

Deparar-se com uma compra que nunca fez, ver o nome sendo usado para o cometimento de crimes e até mesmo para abrir empresas que não concordou.Estes ...

Ataque hacker ao comprar na internet

Última atualização

Deparar-se com uma compra que nunca fez, ver o nome sendo usado para o cometimento de crimes e até mesmo para abrir empresas que não concordou.

Ataque hacker ao comprar na internet (Foto: Leone Iglesias/AT)Estes são alguns dos riscos que mais de 220 milhões de cidadãos brasileiros correm atualmente devido ao vazamento mais assustador da história do País.

Diante do cenário, a polícia e especialistas da área temem uma onda de golpes digitais e fizeram um alerta à população: é preciso ficar mais atento do que nunca. Eles deram outras dicas de como agir diante da exposição nas redes.

Isso porque dados como CPF, endereços, emprego e muitas outras informações de praticamente toda a população brasileira está à venda na internet. No Estado, a estimativa é de que 3 milhões de usuários tenham sido expostos.

Ataque hacker ao comprar na internet

Com a mulher grávida, um professor e historiador de 36 anos decidiu comprar um ar-condicionado pela internet, o que resultou em muita dor de cabeça.

Passando-se por um vendedor de uma plataforma, o golpista finalizou a venda, mas não enviou a previsão de chegada do produto.

Diante disso, o professor entrou em contato com o vendedor. “Recebi uma mensagem dizendo que iria me chamar com um código, que deveria ser informado, o que fiz. Minutos depois a minha conta foi hackeada”.

Logo depois, os golpistas tentaram fazer duas compras de R$ 999 cada. “Contestei a compra e quando a gente contesta o cartão é bloqueado”.
Após 15 dias, ele conseguiu resolver o problema. “Foi um transtorno e ainda fica a preocupação se o hacker poderá usar os meus dados de forma indevida novamente”.

O titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, delegado Brenno Andrade, afirmou que as autoridades estão em alerta. “Foi um vazamento um tanto quanto irresponsável, pois são muitos dados. São dados da vida inteira do usuário”.

Ele explicou alguns golpes que podem ser aplicados com o megavazamento. “Os criminosos podem abrir conta em banco, cadastrar telefone em nome da pessoa, cometer crimes, sacar FGTS, fazer inscrições em programas sociais, entre outras coisas”, afirmou.

Eduardo Pinheiro, especialista em segurança digital, recomendou atenção. “Recomendo as pessoas a redobrarem os cuidados com suas senhas bancárias, de cartões de crédito e aplicações online. Por conta desse vazamento o ano de 2021 tem tudo para bater todos os recordes de fraudes no País, em proporções bem superiores do que as já registradas no Brasil”.

João Paulo Machado Chamon, professor da UCL, mestre em rede de computadores e especialista em segurança da informação, diz que uma possibilidade para não ser surpreendido é cadastrar o CPF em um serviço de proteção.

“Esse serviço, que é pago, possibilita saber se uma consulta ou compra foi realizada no CPF sem o seu conhecimento. Mais informações podem ser obtidas no site www.serasa.com.br/premium”.

Vazamento de dados – É necessário registrar ocorrência, diz delegado

Andrade explicou que boletim de ocorrência vale como prova do problema (Foto: Leone Iglesias — 05/06/2019)Os usuários que tiveram seus dados vazados por criminosos devem registrar um boletim de ocorrência na delegacia para se protegerem de problemas que possam ter no futuro. A orientação foi dada pelo titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade.

Ele destacou que a pessoa pode verificar se teve os dados vazados no site https://fuivazado.com.br. Ao entrar no endereço, o usuário só precisa inserir o número do CPF e a data de nascimento.

De acordo com o delegado, se a pessoa detectar que foi vazada, ela deve registrar uma ocorrência por meio da Delegacia Online (http://delegaciaonline.sesp.es.gov.br/deon/).

“É importante fazer um BO. A pessoa pode registrar na Delegacia Online a inscrição ‘para fins de Direito Civil’. Com isso, ela se resguarda se algum criminoso vier a praticar um golpe em nome dela, por exemplo. O BO serve para a pessoa se justificar depois”.

Ele ainda deu outras orientações. “É um vazamento bem complexo e não tem como reverter. Qualquer pessoa pode ter sido vítima e agora é importante ficar alerta. Temos como saber se os dados foram vazados, mas, saber tudo o que pode ser feito com eles, é impossível”.

O diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde, acrescenta que caso os dados pessoais sejam utilizados de forma indevida ou criminosa, a vítima poderá registrar também uma reclamação nos órgãos de defesa do consumidor.

Dizendo que as pessoas estão vulneráveis, o perito em crimes digitais Wanderson Castilho observa que a melhor ferramenta do mundo para evitar problemas se chama conhecimento.

“As pessoas devem buscar informações sobre o que a bandidagem está fazendo em sites especializados, em reportagens sérias, a exemplo da que está sendo feita por A Tribuna, que mostram como é possível agir diante dessas situações.”

A origem do vazamento é desconhecida. Inicialmente, o Serasa era apontado como a fonte dos dados — além de o hacker afirmar ter obtido as informações junto ao birô de crédito, os pacotes de dados trazem referências à empresa.

Uma delas é uma pasta que se chama Mosaic, um serviço oferecido pelo Serasa. A outra são arquivos no formato PDF que trazem manuais de produtos da empresa, como o score de crédito.


SAIBA MAIS


Maior roubo de dados
CPF (Foto: Divulgação)> Um megavazamento histórico de dados na internet coloca em risco a segurança de praticamente toda a população brasileira.
> Foram 223 milhões de usuários atingidos em todo o País, incluindo pessoas mortas. Somente no Estado, estima-se que 3 milhões de pessoas foram expostas pelos criminosos.
> São dados como CPF, nome, endereço, e-mail, score de crédito, telefones, renda mensal e outros. Os dados estão à venda na internet.

  • Como estes dados podem ser usados pelos bandidos?
    – 
    Criminosos podem usar os dados vazados para aplicar golpes como solicitar linhas telefônicas, pedir cartão de crédito, abrir uma empresa registrada com CNPJ, fazer compras pela internet, entre outras coisas.
    – De acordo com o especialista em segurança digital Eduardo Pinheiro, as possibilidades são inúmeras. “São incontáveis as possibilidades de fraudes que podem ser praticadas com dados pessoais de 220 milhões de brasileiros. Dessa vez ninguém escapou, correntistas, bancários e banqueiros. Pela primeira vez todos estão igualmente vulneráveis”.
    – Os dados são vendidos em pacotes a partir de US$ 500 (R$ 2.715). Segundo as postagens dos criminosos, não são aceitos pedidos para uma única pessoa.
     
  • Como me proteger?
    > Os especialistas destacaram que é preciso atenção. Os cuidados devem ser redobrados com os novos vazamentos.
    > Estar sempre atento ao extrato da conta corrente, fatura de cartão de crédito, contas digitais e outros.
    > Se por acaso o usuário descobrir que as suas senhas foram vazadas, é importante mudá-las.
    > Como o criminoso pode criar uma empresa no nome da vítima, é importante que ela cheque nos dados da Receita Federal se existe algum CNPJ em nome dela.
    > Utilizar sempre navegadores e softwares de antivírus atualizados.
    Links suspeitos podem levar à instalação de programas espiões, que podem ficar ocultos no celular ou computador, coletando informações de navegação e dados do usuário.
    > Não forneça senhas ou outros dados de acesso em outros sites ou aplicativos.
    > É preciso verificar se o link possui o https para que a conexão seja segura para a inserção de dados.
    > O mesmo vale para o cadeado antes do endereço. O usuário pode clicar nele para verificar o certificado de segurança e data de validade.

Fonte: Especialista em segurança digital Eduardo Pinheiro, delegado Brenno Andrade e pesquisa AT.

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