
Essa informação foi passada na noite de ontem pelo secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Nylton Rodrigues, que esteve no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para acompanhar as investigações. Lá, ele conversou com essa testemunha do crime e também com o assassino.
“A testemunha contou que, após ouvir essa declaração, colocou o governador Gerson Camata de bruço, ainda com vida, mas logo em seguida ele faleceu”, declarou o secretário.
Para Nylton Rodrigues, o crime foi premeditado. “Fui o primeiro a conversar com ele (na DHPP) ele não disse isso, mas está muito claro que o crime foi premeditado.”
O secretário relatou que questionou Marcos Venicio sobre o que o levou a cometer o crime.
“Ele respondeu friamente e sem demonstrar nenhum arrependimento: ‘Olha, secretário, ele (Camata) começou a me tratar como tratava as outras pessoas que não queria atender. Aquilo me ressentiu muito. E quando ele me processou e agora eu tive R$ 60 mil bloqueados… Eu não merecia isso.”
Para o secretário, esse ressentimento evoluiu para o ódio. “Marcos Venicio contou que houve uma discussão com Gerson Camata antes do crime, mas a testemunha joga por terra essa versão. Não houve discussão. Houve um diálogo baixo, civilizado, algo muito curto, momento em que ele sacou a arma e efetuou o disparo.”
Ameaças de morte
Familiares de Gerson Camata preferiram não falar com a reportagem após o crime. No entanto, revelaram à polícia que o ex-governador vinha sofrendo ameaças do ex-assessor Marcos Venicio Moreira Andrade, o Marquinhos, de 66 anos, depois que perdeu um processo na Justiça.
Ao ser preso pelo delegado Danilo Bahiense, o acusado confessou que matou Camata por conta dessa ação judicial.
“Ele foi tirar satisfação com Gerson Camata, perguntando como ficaria a situação dos R$ 60 mil dele e, segundo ele, Gerson Camata teria dito que o ex-assessor perdeu a ação e que esse dinheiro, inclusive, havia sido utilizado parte para pagar advogados. Houve um desentendimento, o Marcos Venicio sacou a arma e atirou”, disse Bahiense.
A arma, uma pistola calibre 380, é do acusado e estava com o registro de posse vencido desde 2013.
“Só a investigação vai dizer isso, mas, provavelmente, o acusado já tinha essa intenção. Ele mora muito próximo e aquele era um local que o Gerson Camata transitava. Um cidadão sair de casa, com uma arma com o registro vencido e sem o porte dela…”, comentou o delegado.
Bahiense revelou que já conhecia Marcos Venicio e o acusado ainda relatou ao delegado que havia sido ameaçada por Camata e teria registrado boletim.
O ex-assessor de Camata chegou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) conduzido por Bahiense.