A família da menina de 10 anos, que foi autorizada pela Justiça a realizar o aborto, acusou manifestantes contra a interrupção do parto de invasão. Familiares chegaram registrar boletim de ocorrência contra um pré-candidato a vereador, que estaria no meio do grupo.
Esse grupo será investigado agora pela Promotoria da Infância e Juventude de São Mateus.
As pessoas teriam pressionado a família da menina, com argumentos religiosos e citando um suposto apoio da ministra de Direitos Humanos, Damares Alves. O grupo teria ido pelo menos duas vezes à residência dos familiares.
Parte das visitas foram gravadas em áudio e vídeo por alguém que estava na casa. Num desses vídeos, a mãe da menina chega a desmaiar e familiares mandam o grupo embora. Conforme relatou, também em depoimento à polícia, um dos tios da criança.
Em um dos áudios obtido pela coluna Plenário, do jornal A Tribuna e do portal Tribuna Online, um homem e uma mulher pressionam a avó.
“Vão tentar uma liminar para fazer o aborto nela. Então, a gente está querendo evitar que isso aconteça, queremos salvar o bisneto da senhora. Só que eu, mesmo com o projeto, mesmo com o suporte, não tenho força. Mas a senhora tem. A senhora tem a sua voz. Eu não sou familiar dela, mas se a senhora se pronunciar contra, olha eu… (inaudível)”, disse o homem que toma à frente do grupo na abordagem à família.
O homem chega a oferecer ajuda de um corpo clínico em São Paulo para ajudar a família a prosseguir com a gravidez e ainda diz quem tem acesso à ministra Damares Alves. Apesar de correr em segredo, por se tratar de uma menor, o nome da criança foi divulgado na rede social de um dos membros do grupo, como foi relatado em boletim de ocorrência.
Em nota, os advogados que representam a família da menina disseram que todos que violarem o direto da criança serão responsabilizados civil e criminalmente com os rigores da lei.
“Finalmente, esclarecemos que todo aquele que transmite vídeos, fotos, nome ou qualquer outra forma de identificação dessa criança está contribuindo para o aumento de seu sofrimento, impedindo que retome sua vida com o amparo de que necessita para que viva com o mínimo de dignidade”, disse a nota.