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PÂNICO EM VILA VELHA

Família se esconde debaixo da cama: “É tiro vovó, vou morrer?”

Moradores do bairro Divino Espírito Santo viveram momentos de terror na manhã desta terça-feira (22)

Com 2, 3 e 4 anos de idade, os netos da doméstica foram colocados debaixo da cama durante tiros na madrugada

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É à base de calmantes que uma doméstica de 45 anos, que mora há 32 anos no bairro Divino Espírito Santo, em Vila Velha, dorme praticamente todas as noites. Um dos motivos é o medo de conviver com tanta insegurança na região.

Ao lado de três netos – um menino de 2 anos, outro de 3, e uma menina de 4, ela contou nesta terça-feira, 22, que conviveu com o que descreve como “mais uma noite de terror”.

Com medo de represálias de traficantes, a mulher pediu que a sua identidade fosse preservada. 

A Tribuna– Como acordou na madrugada?

Doméstica – Eu estava dormindo com os meus três netinhos, uma menina de 4 anos e dois meninos de 3 e 2 aninhos. 

Acordamos com os tiros. Foi desesperador. Eu tomo remédios controlados para dormir e tremia muito. 

O que fez para se proteger?

Eu me joguei no chão, pois a gente não sabe de onde vem nem para onde vão as balas. Só deu tempo de pegar meus netos e colocar embaixo da cama. Deram tiro para todos os lados. Em  momento algum, pensaram que aqui tinha família, que poderia machucar crianças, idosos, pessoas inocentes.

Como os seus netos reagiram ao ouvir os tiros?

Eles estavam muito aflitos, tremendo e chorando. Um deles, de 3 aninhos, perguntava: “É tiro, vovó? Vou morrer?”.

O que respondeu?

Apesar de estar com muito medo, tentava tranquilizá-los. Disse: “Não meu amor, são fogos na rua. Vovó está deitada aqui para brincar com vocês”. Somente depois de cerca de 30 minutos que eles foram se acalmando. 

Hoje (terça-feira, 22), por causa da insegurança, até mesmo com uma granada na rua, eles não foram para a escola. Estamos todos aqui, trancados dentro de casa. 

Como é conviver com essa realidade?

É muito triste. Você olha a rua, especialmente após episódios como os que aconteceram hoje (terça-feira, 22) e, praticamente, não vê ninguém. As pessoas evitam ficar na rua, deixar as crianças brincarem, simplesmente por medo da guerra do tráfico. É triste, mas é realidade o que estamos vivendo. 

A gente vê a guerra entre Ucrânia e Rússia, mas aqui também estamos vivendo em guerra, porém uma guerra imposta por traficantes. O pior é que a gente não vê uma solução, pelo menos, a curto prazo.

Sempre foi assim?

A situação piorou de dois anos para cá. Armas cada vez mais pesadas passaram a ser usadas por esses criminosos, como fuzis, metralhadoras e pistolas. 

Agora, o que comentam é que esses traficantes querem invadir o prédio de três andares, onde a bomba foi colocada, em frente ao imóvel. O motivo seria que eles querem transformar esse local em uma espécie de base do tráfico. Lá, moram cerca de seis famílias, pessoas de bem, que estão sofrendo.

Já pensou em mudar de endereço?

Sim, claro. A gente tem muita vontade de mudar, mas como? Não temos para onde ir. Queria morar em um lugar onde as pessoas têm direito a andar nas ruas, as crianças brincarem na praça sem medo de serem atingidas por uma bala.

Mas sigo aqui, na certeza de que tenho um Deus vivo dentro do meu coração. Aqui tem uma família que coloca os joelhos no chão, que ora, que pede a Deus para nos guardar. Sei que a violência está instalada em todos os lugares, mas existem alguns em que é mais perigoso.

Enquanto não temos condições financeiras de mudar, o que nos resta é apelar para as autoridades, para a cúpula da Segurança Pública, para que olhem por nós.

A Polícia Militar precisa intensificar as operações. A Polícia Civil precisa continuar investigando e prendendo esses bandidos que estão tirando a nossa paz. Temos notícias de que os criminosos  daqui estão recrutando bandidos do Paraguai e da Bolívia para trabalhar para o tráfico de drogas.  

Claro que sabemos que, em muitas situações, os policiais prendem e os criminosos acabam sendo soltos no mesmo dia, por causa das brechas da lei, mas não se pode desistir de caçar esses criminosos, para tentar devolver a paz aos moradores de bem.

Polícia monitora traficantes

Diante das queixas de moradores, a Polícia Civil esclareceu que o serviço de inteligência monitora as atividades criminosas em todos os ambientes, de modo sigiloso.  

A Polícia Civil ressaltou que realiza trabalho de investigação contra o tráfico de drogas e crimes relacionados em todo o Estado. 

Destacou ainda que a população tem um papel importante nas investigações e pode contribuir com informações, de forma anônima, através do Disque-Denúncia 181, que também possui um site onde é possível anexar imagens e vídeos de ações criminosas: o disquedenuncia181.es.gov.br.

Sobre o ocorrido em Divino Espírito Santo, Vila Velha, informou que não houve suspeitos conduzidos à Delegacia Regional de Vila Velha. Já a Polícia Militar diz que atua fortemente com policiamento ostensivo diário em toda a região.

Por nota, a PM ressaltou, porém, que “a impossibilidade da onipresença policial abre brechas para que indivíduos motivados à prática criminal atuem diante de oportunidades”. Reforçou que conta com a participação da população e está sempre à disposição quando acionada, em casos de suspeita ou ocorrência de crime em andamento, através do Ciodes (190).


ENTENDA A GUERRA DO TRÁFICO


Bocas de fumo 

  • Assim como em outras regiões de Vila Velha, o bairro Divino Espírito Santo é cercado por algumas bocas de fumo, que são dominadas por traficantes rivais. 

Gangues 

  • No bairro, duas gangues rivais dominavam o tráfico de drogas. São elas: a do “Beco da Facada”, que fica na rua São Gabriel, e outra conhecida como “Beco da Miséria”, na rua Tupinambás.

Lideranças presas

  • Com a intensificação do trabalho da polícia e da Guarda Municipal na região, pelo menos seis lideranças desses pontos de vendas de drogas foram presas.

Outro domínio

  • Com a prisão dessas lideranças, traficantes do bairro Ilha dos Aires passaram a dominar as duas regiões.

Ocupação 

  • Mais uma vez, as lideranças foram presas e traficantes de uma região do bairro, conhecida como “Padoca”, tentam ocupar a região. 

Líder

  • O grupo é liderado por um criminoso conhecido como “Sabuguinha”, que está foragido da polícia.

Apoio de outras gangues

  • Para dominar a região, o criminoso buscou apoio de gangues de Vitória, como o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e Trem Bala, facções que se localizam no Bairro da Penha.  

Alianças

  • O objetivo da aliança, segundo agentes da Guarda e policiais militares, é garantir um maior poder bélico para realizar ataques nos locais onde o grupo pretende se instalar. 

Tiroteio  

  • Na madrugada desta terça-feira, 22, traficantes da região do “Padoca” foram até a rua Tupinambás, conhecida como “Beco da Miséria”, e ficaram cerca de 30 minutos dando tiros para o alto. 
  • O clima na rua foi de muito medo. Os muros ficaram cheios de buracos causados pelos disparos. 

Bomba 

  • Após uma madrugada de disparos na rua, uma bomba caseira foi deixada na porta da casa de um morador no bairro nesta terça-feira, 22.
  • O esquadrão antibombas do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar foi acionado e detonou o artefato.

Medo

  • Segundo policiais e agentes da Guarda, o artefato foi utilizado para impor medo à população.

Fonte: Agentes da Guarda Municipal de Vila Velha e policiais militares.

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