O suspeito de matar o feirante Zenildo da Cunha, de 49 anos, foi preso na tarde desta quinta-feira (20) no Hospital de Urgência e Emergência de Vitória, onde está internado após quebrar o braço durante fuga.
O acusado é um funcionário do abatedouro de frangos de Zenildo que teria o acompanhado durante entregas de carregamentos em Nova Rosa da Penha, em Cariacica, no último dia 11, quando a vítima desapareceu.
De acordo com o delegado José Lopes, o acusado é usuário de drogas e saiu do presídio seis meses, onde estava cumprindo pena por roubo. Ele já teria cumprido pena pelo crime de furto e contra ele há uma medida protetiva em favor da ex-mulher.
Por conta disso, ele teria procurado Zenildo pedindo ajuda, já que não poderia retornar para casa. Zenildo então alugou uma imóvel para o rapaz e deu um emprego para ele no abatedouro.
“Ele saiu do presídio e pediu um apoio para a vítima, que com pena o colocou numa casa e arrumou emprego. Até onde sabemos, ainda dividia a comida com ele também”, afirmou o delegado José Lopes.
Pouco tempo depois, pertences do feirante, como um relógio, começaram a desparecer da casa. Zenildo chegou a troca as fechaduras no dia anterior ao desaparecimento, desconfiando que o funcionário estava praticando essas furtos.
“É um crime repugnante, porque você vai ajudar uma pessoa e ela, além de te furtar, ainda te mata”, completou o delegado.
De acordo com o delegado, o acusado confessou que teria matado o feirante, mas negou que tivesse o roubado.
Investigação por latrocínio
A polícia investiga se o feirante foi vítima de latrocínio, já que além da carga de frangos, uma quantia em dinheiro e pertences da vítima despareceram.
“Os policiais constataram com a família da vítima que além da carga de frango havia sumido, alguns pertences da vítima e dinheiro também não foram encontrados. Então já começaram averiguar uma possível latrocínio, o roubo seguido de morte”, relatou o delegado.
Entenda o caso
Após quatro dias de buscas, o corpo do empresário e feirante Zenildo da Cunha, de 49 anos, foi encontrado no domingo (16), em Cariacica. O corpo estava em um matagal, já em estado de decomposição. Segundo testemunhas, ao lado dele havia cordas, pedras, e uma chave de roda.
Zenildo, que era morador de Nova Valverde, também em Cariacica, quando desapareceu no último dia 11 após sair para fazer uma entrega ao lado de um ajudante, no bairro Flexal. O empresário, no entanto, não voltou para casa e não foi trabalhar no dia seguinte, fato que intrigou os funcionários.
Um dia após o desaparecimento, o suspeito informou à família de Zenildo que ele e a vítima teriam sido sequestrados durante as entregas.
“A família da vitima procurou o funcionário, que apareceu molhado e com a roupa rasgada, alegando que tinha sido vítima de sequestro junto com o patrão. Ele disse que tinha passado a noite amarrado em uma lagoa e que não sabe o paradeiro da vítima. A família de antemão já achou estranha a história e procurou a Delegacia de Homicídios e registrou uma ocorrência como pessoa desaparecida”, comentou o delegado José Lopes.
O caso passou a ser investigado pela Delegacia Antissequestros, já que a vítima era considerada uma pessoa com um certo poder aquisitivo, o que seria motivo para um sequestro que estaria em andamento.
O acusado prestou depoimento e deu a versão dele sobre os fatos, indicando onde o crime teria acontecido. Buscas foram feitas na região com o apoio do Notaer.
“Os policiais perceberam que o acusado e estava caindo em contradição e pediram para ir até a casa onde ele dormiu para pegar a roupa e verificar em perícia. Em determinado momento, ele entrou em um quarto na residência para trocar de roupa e fugiu, pulando muros das casas. Os policiais foram atrás, mas o perderam”, disse o delegado.
O veículo da vítima foi encontrado próximo a esta casa, que pertence a ex-mulher do acusado. No carro, foi encontrado sangue na carroceria, cabine e volante.

“Os policiais foram até o antigo São Lucas e lá encontraram o acusado. Ele está internado com o braço quebrado. Foi dada a voz de prisão no local, mas ele segue hospitalizado e ainda não teve alta” confirmou o delegado.
