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Filha volta para mãe um ano após fugir de casa

Um ano que se resumiu em angústia, choro, medo, incerteza, noites em claro e muita oração. Tudo para que a filha de 12 anos pudesse voltar para casa ...

Atrás do ramo de flores, dona de casa relembrou a angústia de ficar longe da filha por 12 meses

Última atualização

Atrás do ramo de flores, dona de casa relembrou a angústia de ficar longe da filha por 12 meses (Foto: Beto Morais/AT)

Um ano que se resumiu em angústia, choro, medo, incerteza, noites em claro e muita oração. Tudo para que a filha de 12 anos pudesse voltar para casa bem. Essa é parte da história de vida que teve como personagens uma dona de casa, de 37 anos, e sua filha.

O pesadelo começou depois que a menina, que hoje tem 17 anos, saiu de casa para ir para a escola, no turno vespertino, e não retornou.

Escondida atrás de um ramo de flores (ipê-rosa) e pedindo para o seu nome e da sua filha serem preservados, a dona de casa conversou com a reportagem de A Tribuna, na tarde de ontem, na Grande Santo Antônio, em Vitória, região onde mora com a família.

O ipê-rosa foi escolhido pela mãe para simbolizar que, somente após o retorno da filha, foi que ela voltou a ver a beleza nos pequenos detalhes, como da natureza.

A Tribuna – Como foi que descobriu que a sua filha havia fugido de casa?
Dona de casa –
Estava no hospital com o meu bebê, que nasceu prematuro, quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, a madrinha da minha filha disse que ela não tinha voltado para casa.

Consegue descrever o que sentiu ao receber essa notícia?
As horas e os dias foram passando e o desespero aumentava cada vez mais. Ela nunca tinha feito isso antes. Tudo passava pela minha cabeça. Tive muito medo de não poder abraçá-la nunca mais. Eu vivi um ano de pesadelo, sem notícias. Chorei muito, fiquei noites e noites sem dormir, entrei em depressão, engordei mais de 20 quilos porque comia sem fome, de tanta ansiedade. Procurei a polícia e fiz a denúncia.

E como a reencontrou?
Depois de um ano, descobri que ela tinha fugido de casa por causa de namoradinho. Ela não fugiu sozinha. Com ela estavam mais três adolescentes. Uma delas, filha de um pastor.
O nosso encontro foi marcado na casa de uma amiga.

Como foi?
Choramos muito enquanto a gente matava a saudade de 12 meses em um abraço apertado. Minha filha me pediu perdão, pois se arrependeu. Claro que ela passou sufoco na rua.

Qual foi o argumento dela para ter tomado essa decisão?
Ela contou que todas fugiram em busca de liberdade, queriam conhecer o mundo.

Era muito rigorosa na forma de educar a sua filha?
Sempre fui uma mãe protetora. Eu a deixava sair às sextas-feiras, na pracinha perto de casa, mas até as 22 horas. Se desse 22h01, eu iria buscá-la. Confesso que a minha filha cresceu, mas eu ainda a via como o meu bebê, uma criança.

Depois disso, o que mudou?
Ela mora comigo e nunca mais aprontou assim. Claro que não é fácil ser mãe de adolescente, mas a gente conversa muito. Não quero perder a minha filha nunca mais.

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