
Criado por uma família adotiva, Ulisses chegou a morar nas ruas e disse que somente agora havia decidido procurar Carmen, sua mãe biológica, em busca de abrigo. Em depoimento à polícia, ontem – três dias após ter cometido o crime –, confessou ser usuário de drogas.
Ele revelou que começou a pensar no assassinato da mãe no domingo. Na madrugada de segunda-feira, ao voltar para casa após ter consumido crack, teria se deitado no chão do quarto de Carmem, em cima de um tapete, e visto um martelo debaixo de uma das camas.
Ulisses disse que foi até a cozinha, onde pegou uma faca. Ao voltar para o quarto, começou a dar marteladas na cabeça da mãe, que estava dormindo. Depois, pegou o cinto que estava usando e apertou o pescoço dela, seguido por facadas no corpo da vítima.
A faca, o cabo do martelo e todo o material usado foram guardados dentro da mochila da mãe, que ficou debaixo do armário da cozinha.
No depoimento, Ulisses contou que limpou a cena do crime. Quando o dia amanheceu, foi para a rodoviária de Piúma, onde embarcou para Vila Velha.
Ele disse ter confessado o crime a um pastor e, depois, decidido se entregar à polícia. Ulisses afirmou que nada fez com a paciente da mãe. Por isso, a polícia acredita que Valdete pode ter morrido de fome, sede e falta de medicamentos dias após a morte de Carmem.
Entenda o caso

No local, também foi encontrado o corpo de Valdete Maria Cordeiro de Farias, de 53 anos, que tinha deficiência e era cuidada por Carmem. De acordo com a polícia, a paciente morreu por fome, sede e falta de medicamentos.
Segundo a Polícia Civil, Valdete estava no quarto sozinha, morta em cima da cama. Já Carmem foi encontrada em outro quarto, com as pernas amarradas e o rosto machucado.
Ulisses procurou a Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher, em Cariacica, ontem de manhã. Após o rapaz confessar o assassinato da mãe, a delegada entrou em contato com a Delegacia de Piúma, de onde os investigadores seguiram para o local.
A porta da casa foi arrombada pelos policiais civis, que encontraram os corpos. A vizinhança disse não ter estranhado o sumiço das duas, já que Carmem, sempre que precisava, levava Valdete ao hospital.
Quando a portadora de necessidades especiais precisava ficar internada, elas não voltavam para casa.
“Estranhamos o fato de ela não ter aparecido nos últimos dias. Ela sempre precisava ir ao médico com a Valdete. Já teve casos de levarem dias para voltar, porque Valdete ficava internada”, disse a vizinha, a dona de casa Lena Barbosa, de 53 anos.
A casa em Piúma pertencia a Carmem, e ela morava no imóvel há 19 anos. Os familiares contaram que, depois que o marido morreu, há cinco anos, Valdete passou a morar com a cuidadora.
Amiga de Carmem desde a infância, a enfermeira aposentada Maria da Penha Gomes dos Santos, 66, conta que Valdete era como uma filha para a cuidadora.
“Semana passada, passei vários dias com elas. Carmem era minha melhor amiga. É muito triste saber que ela foi assassinada”.
Os corpos das vítimas foram encaminhados para o Serviço Médico Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado.