Uma jovem de 19 anos passou por uma situação desesperadora enquanto procurava por atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Mateus. Ela denuncia ter sofrido assédio sexual do médico que deveria atendê-la, na última terça-feira (03).
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De acordo com a ocorrência da Polícia Militar, a mulher foi à unidade porque estava com queimação no estômago e uma forte dor na cabeça. Mas, assim que entrou na sala do médico, o terror começou. Ele pediu que ela levantasse sua blusa, colocou o estetoscópio em seu peito e depois pediu que ela virasse de costas.
Nesse momento, o médico projetou seu corpo contra o da jovem, passou a mão em suas nádegas e começou a conversar com ela. No entanto, o telefone da vítima tocou e ele começou dizer que faria o que fosse preciso para que ela não contasse nada ao namorado dela, porque ele não contaria à esposa dele.
Além do contato físico, o acusado também pediu uma foto da jovem, que negou. Enquanto alisava a mão da mulher, ele ainda falou que, na verdade, atende na área da pediatria e que ela poderia passar por lá a hora que quisesse para vê-lo.
A vítima relatou aos policiais que saiu do consultório, foi para casa aos prantos e contou sobre o caso a um amigo, que a levou imediatamente à delegacia para que denunciasse o homem. Apesar do desespero, ela conseguiu gravar um áudio que incriminaria o médico.
Apesar do acusado ser especializado em medicina do trabalho, ele se apresentava como pediatra e, inclusive, tentou marcar para a vítima encontrá-lo no dia seguinte no setor de pediatria.
Após o relato da jovem, policiais seguiram para a UPA e prenderam o médico, que não ofereceu resistência e foi conduzido à delegacia.
A Polícia Civil disse, por nota, que o acusado tem 60 anos e foi conduzido à 18ª Delegacia Regional de São Mateus, onde foi autuado em flagrante por importunação sexual e encaminhado ao sistema prisional. O caso seguirá sob investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. Até a noite desta quinta-feira (03), o médico continuava preso.
A Prefeitura de São Mateus disse que está esperando a conclusão da investigação para tomar as “medidas administrativas cabíveis” e que o médico é contratado por empresa que presta serviço de plantão.
Abalada, a vítima de assédio dentro de UPA em São Mateus preferiu não se identificar, mas contou, em entrevista ao jornal A Tribuna, que o médico também tentou marcar um encontro com ela fora do consultório.
A Tribuna Como chegou ao pronto atendimento?
Vendedora Já cheguei com um mal-estar, não estava me sentindo bem e estava demorando o atendimento. Quando fui atendida, já fui chamada para o consultório, o médico me mandou ficar em pé e veio com um equipamento para escutar meu coração.
Como o assédio começou?
Depois que ele levantou minha blusa para escutar meu coração, ele encostou no meu peito e pediu para abaixar minha calça. Depois, ele mesmo abaixou, mostrou minha calcinha e encostou nas minhas nádegas. Fiquei apavorada.
O que ele falava?
Ele pedia fotos minhas sem roupas, um pouco eu consegui gravar áudio e desconversei falando que eu tinha uma irmã gêmea, mas ele disse que não queria saber de ninguém, apenas de mim.
Como conseguiu ajuda?
Meu celular tocou e ele achou que fosse meu namorado nessa hora. Pediu para eu não falar para meu namorado e disse que ele não contaria para a esposa dele. Disse que poderia me dar o que eu quisesse.
Quando avisou a polícia?
Eu saí de lá e fui direto pedir ajuda a um amigo, que me orientou a ir na polícia. Lá na delegacia, a polícia foi ao local e fez uma prisão em flagrante. Quando a polícia pesquisou o nome dele, descobrimos outras ocorrências e eu fiquei mais revoltada ainda. É aterrorizante pensar como ele ainda estava dando consultas.
Outras três vítimas fizeram denúncias
Após a denúncia da jovem de 19 anos, na terça-feira (03), os policiais viram que o médico acusado possui outras quatro ocorrências de assédio sexual, sendo três de 2017 e uma registrada na última segunda-feira, em Conceição da Barra, quando uma mulher de 56 anos também denunciou o médico de 60 anos de assédio sexual.
Consta na ocorrência que a vítima compareceu à delegacia na última terça-feira para denunciar o caso dizendo que foi ao médico após sentir fortes dores nas pernas e, ao se consultar com o médico, o profissional a pediu para deitar na cama.
Na sequência, o médico perguntou se a paciente tinha fotos sem roupa e disse em seguida: “É muito bonito uma vovó peladinha”, diz um trecho do boletim de ocorrência.
Após a solicitação do médico, a vítima teria desconversando e continuado a consulta por estar sentindo dores, mas, em seguida, o assédio continuou e o médico teria passado a mão nas partes íntimas da mulher, colocando a calcinha da paciente de lado, para ver as partes íntimas dela.
“Ficou fazendo comentários do tipo: ‘A senhora não deve usar essa calcinha de velho’, e também ‘deveria usar uma roupa íntima menor’”, diz o boletim de ocorrência.
A mulher contou aos policiais que, após a consulta, chegou a avisar aos funcionários, mas nada foi feito. Somente um dia após o crime conseguiu procurar a polícia.
A mulher chegou a sentir medo quando começou a tomar medicação no hospital e pediu para que o marido fosse procurado, mas o médico a comunicou que o marido poderia tumultuar a unidade.
Ao ser procurado pelo hospital, o médico teria negado todas as afirmações.
Após o crime, o médico não foi preso e seguiu para o plantão seguinte em São Mateus, onde assediou a vendedora de 19 anos e foi preso em flagrante pela Polícia Militar. No momento, ele está no Centro de Detenção Provisória de São Mateus.
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