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Fotos nuas na internet: “Sofri dois anos, mas superei trauma”

Quase quatro anos depois de ter fotos íntimas espalhadas em aparelhos celulares por vingança de um ex-namorado, uma auxiliar administrativo de 33 ...

Mulher que teve fotos divulgadas: “Cheguei a ir a um psiquiatra”

Última atualização

Quase quatro anos depois de ter fotos íntimas espalhadas em aparelhos celulares por vingança de um ex-namorado, uma auxiliar administrativo de 33 anos contou o trauma e como a vida mudou depois disso.

Na época, ela deixou a faculdade, chegou a ficar dois anos sem andar na rua, teve sintomas de síndrome de pânico e dormia à base de medicamentos.

Casada e com um filho, ela deixou um recado para quem está passando por uma situação semelhante: “Não é nossa culpa e isso vai passar. Sofri muito, mas dei a volta por cima.”

A Tribuna – O que aconteceu na época?
Auxiliar administrativo: Terminei com o meu ex-namorado, com quem tive um relacionamento de sete anos, e ele não aceitou. Chegava a ameaçar e a me agredir, então pedi medida protetiva contra ele. Foi quando as fotos foram divulgadas.

Foram enviadas por você para ele?
Na verdade, eram fotos muito antigas feitas por nós em um momento íntimo. Não sabia nem que existia, pois foram feitas há anos em uma câmera digital e achava que tinham sido apagadas. Nem estou nua em todas. Essas fotos foram divulgadas em WhatsApp e se espalharam muito rápido. Até um amigo de São Paulo me falou que tinha recebido.

E qual foi sua reação?
Foi uma reviravolta na vida. Algo que não desejo para o meu pior inimigo. Atingiu a minha família. Cheguei a ir a um psiquiatra e dormia à base de calmantes.

Deixei a faculdade que fazia, chorei muito e, por dois anos, não andava na rua. Achava que todos estavam olhando para mim. Cheguei a ter sintomas de síndrome do pânico ao tentar ir a um cinema com a minha mãe. A impressão era que todos estavam me olhando.

Chegou a denunciar?
Sim. Em todos os lugares possíveis. Delegacia de Crimes Eletrônicos, Delegacia da Mulher. O que eu podia fazer, eu fiz. Ele chegou a ser preso por descumprir a medida protetiva, mas foi solto depois.

E como superou isso?
Superar totalmente, nunca, pois quando vejo jornais relatando casos sofro por essas pessoas e me vejo no lugar delas. Mas hoje sou casada, tenho filho, dei a volta por cima. O apoio da minha família foi fundamental, pois poucos amigos ficam nesse momento.

Se sentiu julgada?
Muito. As pessoas acham que a culpa é nossa, sem nem saber o que aconteceu, mas não é. Não foi minha culpa. Eu tinha um relacionamento em que confiava na pessoa. Não imaginava que isso poderia acontecer, nem que essas fotos existiam.

O que diria para mulheres vítimas dessa exposição?
Que não abaixem suas cabeças. É difícil, pois os julgamentos existem, mas ninguém sabe a dor e sofrimento que esse tipo de crime causa. Então procurem seus direitos de todas as formas possíveis e não tentem provar nada para ninguém além da sua inocência perante a Justiça.

Mulher que teve fotos divulgadas: “Cheguei a ir a um psiquiatra” (Foto: Acervo pessoal)

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