Policiais rodoviários apreenderam um arsenal de armas de grosso calibre que seria entregue no Complexo da Maré, comunidade da zona norte do Rio de Janeiro, dominada por milícias e traficantes.
Segundo a corporação, a carga era composta por 25 fuzis de fabricação estrangeira, 1.400 munições de calibre 5,56 mm e 40 carregadores. Tudo estava escondido em um fundo falso de um veículo.
O motorista do veículo, que não teve a identidade revelada, confessou que entregaria o armamento no Complexo da Maré, mas não deu mais detalhes sobre a encomenda à PRF.
A PRF diz que localizou o suspeito em uma abordagem de rotina realizada na rodovia Washington Luiz (BR-040), na altura da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na manhã desta terça-feira (4).
Ao ser abordado pelos policiais rodoviários, o suspeito, de 41 anos, se mostrou muito nervoso, o que levantou uma desconfiança entre os policiais que, após vistoria minuciosa no veículo, acabaram encontrando o armamento ilegal.
O motorista foi detido e confessou que viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro. Ele foi levado para a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos.
Armas apreendidas
Números do Instituto de Segurança Pública, ligado ao governo do Rio, mostram que a apreensão de fuzis, submetralhadoras e metralhadoras caiu nos três meses completos após o início da intervenção federal no estado fluminense.
Foram 92 dessas armas retiradas de circulação de março a maio deste ano, ante 145 no mesmo período do ano passado -uma redução de 37%. Considerando todos os tipos de armas, também houve queda de 5% (de 2.343 para 2.229).
Mesmo considerando que 2017 foi um ano atípico, com mais apreensões do que a média, os números de 2018 se mantêm próximos aos de anos anteriores, indicando que a intervenção federal na segurança não teve impacto nessa atividade policial.
A média de 2007 a 2016 era de 91,7 armas pesadas apreendidas no mesmo período.
Reduzir a quantidade de traficantes circulando armados pelas favelas é um dos objetivos a curto prazo da intervenção federal na segurança do Rio, segundo afirmou o interventor e general Walter Braga Netto em um evento na semana passada. “Temos que diminuir aquela ostensividade que estava existindo no Rio”, afirmou ele na ocasião.
Os fuzis -que são de uso restrito das forças de segurança e chegam a custar R$ 50 mil no mercado clandestino- são considerados um dos pesadelos no estado.
Eles representavam 3,3% de todas as armas apreendidas no Rio em 2014, o que é bastante alto. Para se ter uma ideia, em São Paulo a taxa era de 0,8%, segundo o levantamento mais recente disponível, do Instituto Sou da Paz