A investigação da Polícia Federal que resultou na prisão de empresários e do prefeito de São Mateus, Daniel Santana, mais conhecido como Daniel da Açaí (sem partido), apontou que um dos empresários detidos teria comprado votos para tentar eleger o pai à presidência da Câmara de Vereadores de Linhares.
De acordo com a PF, o empresário Caio Donatelli, que é filho do vereador de Linhares Juarez Donatelli (PV), foi flagrado articulando com o próprio pai a compra de votos para que ele fosse eleito presidente da Câmara de Vereadores de Linhares.
Apesar de o pai não integrar a atual Mesa Diretora da Câmara, a PF também afirma que Caio teve atuação na eleição do vereador Kácio Mendes (PSDB) para o cargo de vice-presidente da Câmara. Segundo o relatório, Mendes é ex-empregado da empresa que Donatelli administrava.
“Em chamada telefônica, Caio confirma o fato e demonstra que poderá interferir nas nomeações disponíveis para a presidência da Câmara de Vereadores”, menciona o inquérito da PF.
O empresário foi um dos presos da Operação Minucius da última terça-feira. Segundo a investigação da PF, a empresa Multiface Serviços e Produções, administrada por Donatelli, foi contratada pelo chefe do Executivo municipal para construir 385 metros de passarelas de madeira no balneário de Guriri, recebendo o valor de R$ 493 mil pela empreitada. Segundo a PF, os valores orçados eram, aparentemente, superiores aos praticados no mercado, e o prefeito teria recebido entre 10% a 20% de propina.
A Polícia Federal também chamou a atenção para o valor elevado de pagamentos feitos pela Prefeitura de São Mateus à Multiface, que correspondem, atualmente, a R$ 26,6 milhões.
A investigação da PF apontou que houve movimentação atípica de dinheiro em espécie na empresa. Entre março de 2019 e novembro de 2020, a Multiface recebeu R$ 360,8 mil em depósitos em espécie, sendo que R$ 310,8 mil foram depositados pelo próprio Caio Donatelli.
A Multiface também é investigada pela Câmara de Vereadores de São Mateus, em uma CPI que apura o suposto envolvimento da empresa em fraudes no município.
Vice espera decisão judicial
O vice-prefeito de São Mateus, Ailton Caffeu (Cidadania), disse estar aguardando a situação envolvendo o prefeito Daniel da Açaí (sem partido) se resolver para saber se irá assumir a prefeitura.
“Tenho de aguardar para saber. Já me reuni com a Câmara e achei por bem esperar a decisão da Justiça antes de qualquer coisa. Nem estou acompanhando muito”.
A Lei Orgânica do município estabelece que, no caso atual, o comando deveria ficar interinamente com o vice-prefeito. Mas, também permite que o prefeito fique afastado por 15 dias do cargo.
O comentário de Caffeu dá indícios de que enquanto não houver determinação oficial para que o Daniel da Açaí seja afastado do cargo, ele seguirá respondendo pelo município, mesmo detido.
“Estão aguardando para ver se a prisão vai ser prorrogada ou não. Ou seja, São Mateus está temporariamente sendo comandada direto da cadeia”, analisou o advogado eleitoral Marcelo Nunes.
O presidente da Câmara municipal, Paulo Fundão, se manifestou ontem, e disse que mesmo havendo harmonia entre os poderes, o Legislativo é independente, e destacou que a cidade não pode parar.
“O papel desta Casa é dar a estabilidade política que o município precisa”, declarou.
OUTRO LADO
Material apreendido
Jayme Henrique, advogado do vereador Juarez Donatelli, informou que não há nos autos do inquérito documento ou referência à atuação política do vereador na Câmara de Linhares que esteja relacionada à situação do filho na ação penal.
Ele também disse ter solicitado a revogação da prisão provisória de Caio Donatelli porque “o material que a PF julgava necessário apreender, já foi apreendido”.
Já o vereador Kácio Mendes disse à imprensa que conhece Caio e que atuou por quatro meses na Multiface, mas negou ter feito articulações em seu nome.
