
A investigação, que apura 15 casos de abuso sexual – entre mais de 500 relatados até agora –, vai apontar que o líder religioso selecionava suas vítimas, normalmente mulheres entre 25 e 40 anos, e usava do desconhecimento das pessoas para fazer parecer que os atos libidinosos eram parte de um atendimento espiritual comum.
Antes de encerrar os inquéritos, a Polícia Civil de Goiás fez, ontem, por mais de quatro de horas, uma operação em pelo menos três endereços em Abadiânia (GO).
São eles: a Casa Dom Inácio de Loyola, onde o médium fazia atendimentos espirituais, a residência pessoal e o endereço da instituição, conhecida como Casa da Sopa.
Da casa onde mora João de Deus, a polícia retirou um malote de documentos e mídias. Na Dom Inácio, os policiais passaram pelo escritório administrativo, salões de culto e salas pessoais do médium.
Na conclusão dos inquéritos, os policiais devem explicar parte do padrão de comportamento do líder religioso com as mulheres que o acusam do abuso. Segundo as investigações, João de Deus selecionava as potenciais vítimas para um atendimento privativo e trancava a porta do ambiente para a consulta.
A maioria das mulheres relata que, sentado em uma poltrona, ele pedia para que as vítimas se posicionassem de costas, com olhos fechados. E iniciava uma espécie de massagem nas pacientes.
De acordo com os policiais, João de Deus pedia para que as mulheres colocassem os braços para trás e, muitas vezes, repetissem a massagem nele, às vezes, sob a desculpa de “passar energia”. A partir daí, o médium praticava abusos, fazendo as mulheres o tocarem nas partes genitais.
É por esse tipo de comportamento que ele deve ser indiciado por violência sexual mediante fraude.
Na avaliação da polícia, a forma de atuar de João de Deus tinha o objetivo de fazer parecer que essas práticas eram para a “cura” dos problemas espirituais.
“É uma situação em que a pessoa está sob fraude porque ela está sendo enganada de que aquele procedimento é necessário, que aquela energia vai acontecer”, disse a delegada Karla Fernandes, coordenadora da força-tarefa.