O Ministério Público de Goiás apresentou nesta sexta-feira (21), um balanço das investigações relacionadas ao médium João de Deus, acusado de abusar sexualmente de mais de 500 mulheres. João de Deus está preso desde o último domingo (16).
Só do Espírito Santo, segundo o Ministério Público goiano, pelo menos 11 mulheres denunciaram ter sido abusadas pelo médium. As denúncias foram encaminhadas diretamente ao MP-GO e as vítimas já foram ouvidas formalmente.
Além do ES, há vítimas identificadas em Brasília (39), Goiás (21), Rio Grande do Sul (20), Minas Gerais (15), Rio de Janeiro (7), Paraná (6), Santa Catarina (4), Mato Grosso (3), Mato Grosso do Sul (1), Maranhão (1), Pernambuco (1), Piauí (1) e Tocantins (1). As mensagens encaminhadas ao MP também vieram do exterior, como listaram os promotores, sendo elas dos Estados Unidos (4), da Austrália (3), da Alemanha (1), da Bélgica (1), da Bolívia (1) e da Itália (1).
Destas vítimas já identificadas em todo o país, 23 tinham entre 9 e 14 anos, na ocasião dos fatos; 28, entre 15 a 18 anos; e 28, com idade de 19 a 67 anos. Conforme adiantaram os promotores, os próximos passos incluem, além da continuação das oitivas das vítimas, o depoimento do próprio investigado e a apresentação de denúncia criminal de, pelo menos, três casos, cujos crimes são o de estupro, violência sexual mediante fraude e estupro de vulnerável.
Sobre os relatos das vítimas, os promotores destacaram que o médium se valia da fé dos frequentadores; do respeito que elas tinham por ele; e da fragilidade das pessoas que, muitas, vezes estavam com graves doenças. Neste sentido, a coordenadora do Centro de Apoio Operacional, Patrícia Otoni, integrante da força-tarefa, destacou a preocupação que o MP tem tido para com as depoentes. “Antes mesmo dos depoimentos, as vítimas são atendidas por uma psicóloga da instituição, sendo a oitiva, que é feita por promotoras, acompanhada por essa profissional. Após essa etapa, as vítimas também são direcionadas à rede de atendimento psicossocial de seus municípios”, informou a coordenadora.
Leia Mais
“João de Deus abusou sexualmente de mim durante consulta em Vitória”, diz capixaba