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Polícia

Jovens são mortas por se envolver com amor bandido

Ostentação, prestígio, dinheiro “fácil” e a “sensação de poder” têm levado cada vez mais jovens mulheres a se envolverem com criminosos.O preço pago ...

Última atualização

Ostentação, prestígio, dinheiro “fácil” e a “sensação de poder” têm levado cada vez mais jovens mulheres a se envolverem com criminosos.

O preço pago por esse “amor bandido”, segundo a polícia e familiares dessas garotas, vai desde a prisão até a morte. A Tribuna conversou com as famílias de jovens que perderam suas vidas e com mulheres que, por pouco, não foram assassinadas.

A família da adolescente Karoline Vitória Souza Nascimento, de 15 anos, suspeita que a estudante tenha perdido a vida por um desses motivos. Ela foi encontrada morta, no dia 23 de setembro, na Rodovia Serafim Derenzi, em Vitória.

“Embora nós ainda não saibamos ao certo o que aconteceu, não descarto a possibilidade de ela ter se envolvido com alguém no mundo do crime. Tinha muitas coisas que ela escondia da gente. Não entendo porquê fizeram isso com ela”, disse o pai da menina, o montador Vanderclei Nascimento, 39 anos.

Uma jovem de 19 anos não pagou com a vida, mas acabou presa por tráfico de drogas, após ajudar o ex-namorado, traficante do bairro Santa Martha, em Vitória, a fugir da polícia. Na condição de não se identificar, ela diz que se arrependeu.

“Eu fiz por amor. Gostava muito dele e não pensei nas consequências. Ele fugiu e deixou as drogas para trás. A polícia chegou e me pegou. Me arrependo”, disse.

O conselheiro tutelar Ângelo Cremonini, da Região III, no bairro Vila Garrido, em Vila Velha, revelou que casos parecidos chegam com frequência ao órgão.

“Boa parte das jovens diz que, no início, não sabia do envolvimento do parceiro com o crime. Mas, ao descobrir, elas decidem continuar por amor. É o que chamamos de verdadeiro amor bandido.”

Para o delegado aposentado Adroaldo Lopes, que passou parte da vida profissional investigando este tipo de crime, o envolvimento depende da classe social.

“Elas vislumbram a vida ‘fácil’ que esses criminosos podem oferecer. Claro que não é regra, até porque tem meninas de classe média alta que se envolvem com bandidos, muitas vezes pelo poder”, explicou Adroaldo, que foi titular da Delegacia de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM), por seis anos.

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