Mãe decide morar perto de cemitério após a morte do filho
A dor da perda de um filho assassinado no auge de sua juventude levou uma mãe a mudar de casa e ir morar de frente ao cemitério, na Barra do Jucu, em ...
A empresária Simone Otero e o médico, Oscar Lazzarini segurando a foto do filho morto a tiros no Natal de 2017
A dor da perda de um filho assassinado no auge de sua juventude levou uma mãe a mudar de casa e ir morar de frente ao cemitério, na Barra do Jucu, em Vila Velha. A empresária Simone Otero, de 51 anos, disse que foi a forma que encontrou para estar mais próxima do filho Jean Pierre Otero Lazzarini, de 27 anos, diariamente, com visitas ao túmulo dele. O jovem, que se preparava para cursar medicina, foi morto por um policial militar, no Natal de 2017, na bairro Araçás, e a família busca por justiça.
Era manhã de segunda-feira, quando Jean foi morto com três disparos, na praça do bairro Gaivotas, em uma festividade tradicional entre os moradores, após a ceia de Natal com bebidas e música.
A notícia que causou toda a dor da mãe, do pai médico Oscar Lazzarini, 51, irmãos e os familiares e amigos, chegou logo após os tiros. Simone contou que Jean não morava com eles, mas tinha passado a ceia natalina em casa, e pela manhã amigos foram até a casa dos pais para dar a notícia. “Eram três amigos que estudaram com Jean, abracei os três e pedi que entrassem. Eles foram até a sala, e um deles disse: ‘Não tenho uma notícia muito boa. Mataram o Jean’. Essa frase acabou comigo. Essa frase acabou com a minha vida”, relembrou a mãe emocionada.
Segundo a família, na época a polícia alegou que o jovem estava armado com uma pistola calibre 380, e que teria feito ameaças alegando que “ele era quem mandava ali”, disse a mãe. Em seguida, foi abordado por um policial que estava na festa armado, reagiu e o policial atirou em legítima defesa.
Simone gravou um vídeo contando como estava se sentindo e com a ajuda do sobrinho, criou a página “Dor”, no Facebook, onde fala sobre o caso, posta vídeos e fotos do filho.