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Polícia

Mais de mil assassinos foram presos este ano no Estado

De janeiro até o fim de junho deste ano, 1.007 pessoas foram para a cadeia suspeitas de terem cometido assassinatos no Espírito Santo. O número ...

Policiais nas ruas durante a Operação Sentinela, voltada a prender assassinos e traficantes no Espírito Santo

Última atualização

De janeiro até o fim de junho deste ano, 1.007 pessoas foram para a cadeia suspeitas de terem cometido assassinatos no Espírito Santo. O número representa uma média de cinco prisões realizadas por dia.

O secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, explicou que essas prisões são resultado do atual trabalho desenvolvido pelas polícias em parceria com órgãos responsáveis. Ele destacou os resultados obtidos pelas operações Caim e Sentinela para tirar os homicidas das ruas.

“Tivemos duas grandes operações montadas pelas instituições este ano: a Caim, da Polícia Civil, que chegou à sua nona edição; e a Sentinela, da Polícia Militar, em parceria com a Polícia Civil e o Ministério Público do Espírito Santo. Em ambas, o objetivo era justamente prender homicidas e traficantes”, apontou.

Policiais nas ruas durante a Operação Sentinela, voltada a prender assassinos e traficantes no Espírito Santo (Foto: Divulgação/Sesp)Segundo Ramalho, boa parte dos crimes praticados contra a vida está relacionado à rivalidade existente entre grupos ligados ao tráfico de drogas.

Por esse motivo, segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus, além das operações, a PM intensificou os cercos táticos, os pontos de bloqueio e as abordagens para tentar coibir a criminalidade.

“Quando os criminosos vão praticar algum homicídio, eles partem de um território para o outro. Por isso, nós entramos com um patrulhamento forte, com muitas abordagens, tanto a veículos quanto a suspeitos”, afirma Caus.

O comandante ressalta que há um grande esforço para diminuir o crime no Estado, principalmente os homicídios. “Por isso, o número de pessoas presas reflete também o nosso trabalho”, pontuou.

O titular das delegacias de Polícia Civil de Jacaraípe e Novo Horizonte, na Serra, Rodrigo Henrique Rosa, que também lida com criminosos suspeitos de assassinatos, informou que, além da disputa pelo território do tráfico, outros motivos servem de estopim para o cometimento do crime.

“A maioria dos crimes de homicídio ocorre por disputas de pontos de vendas de drogas. Mas há uma parte relacionada a acerto de contas. Uma parcela muito pequena ocorre em relação a desdobramentos de crimes de roubo, como, por exemplo, nos casos em que a vítima reage. E temos os crimes passionais, em sua maioria feminicídios”, explicou.


Prisões de assassinos

  • Janeiro – 134
  • Fevereiro – 153
  • Março – 145
  • Abril – 157
  • Maio – 126
  • Junho – 134
  • Julho – 158
  • Total – 1.007
Fonte: Sesp.


Disputa entre traficantes é a causa de 80% dos homicídios

Ao longo do primeiro semestre deste ano, pelo menos 592 pessoas foram assassinadas no Espírito Santo, o que corresponde a cerca de três mortes por dia.

Secretário de Segurança Coronel Ramalho e o Comandante-Geral da PMES, Coronel Caus (Foto: Anny Freire/AT)De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), 80% dessas mortes estão relacionadas com a disputa por pontos de comércio de drogas, principalmente na Grande Vitória.

“Muitas lideranças do tráfico começam a tomar outros pontos de comércio de drogas. Isso provoca confrontos, que acabam em homicídios”, explicou o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho.

Embora o Estado tenha registrado um aumento de 19% nos casos de homicídios no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado (498 mortes), o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus, explica que há um empenho em reduzir esses números:

“Aumentamos nossa carga de operação, porque é nosso dever proteger a sociedade. No segundo semestre vamos ter números melhores.”

Caus deixa um recado à bandidagem: “Vamos partir para cima desses criminosos que estão tirando o sono da população”.


ANÁLISE


“Bom trabalho da polícia provoca debate penal importante”

Advogado Rivelino Amaral (Foto: Acervo Pessoal)“O bom trabalho das forças policiais, ao prender mais de mil homicidas no Espírito Santo, reverbera um debate importante para o mundo penal. Infelizmente, por conta do que está disposto na Constituição Federal, o Judiciário acaba fazendo, no caminho inverso, solturas, o comumente chamado ‘prende e solta’.

Somado a outros fatores, inclusive a superpopulação carcerária, a lei determina que as pessoas respondam aos processos em liberdade até que sobrevenha uma condenação com trânsito em julgado.

Ou seja, só podem permanecer presas aquelas pessoas que representem risco à sociedade ou ao processo — notadamente o caso dos homicidas, mas não, necessariamente, é uma interpretação que vale para todo o tipo de prisão.

É importante dizer que, no Brasil, a liberdade é a regra, e as prisões devem ser exceção. Já somos o terceiro país no mundo em termos de população carcerária, com mais de 800 mil pessoas presas. O Espírito Santo tem capacidade para pouco mais de 13 mil presos e já temos uma população carcerária de mais de 23 mil pessoas — o que fala por si só.”

Rivelino Amaral, advogado criminalista e professor de Processo Penal

 

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