Mais mulheres foram assassinadas durante a pandemia no Estado. Entre março e novembro deste ano, 71 mulheres foram mortas, contra 67 no mesmo período de 2019. O aumento pode ter sido influenciado pelo período de isolamento.
Segundo dados a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), o Estado registrou 89 assassinatos de mulheres entre janeiro e novembro deste ano, um aumento de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 83 crimes.
Para Ana Claudia Simões, mestre em políticas públicas, “a pandemia ‘prendeu’ agressores e agredidas num mesmo ambiente, e aumentou a impaciência e frustração do homem. Em contrapartida, por exemplo, o número de mulheres procurando por ajuda em Vila Velha cresceu 60%. Ponto positivo onde percebemos o empoderamento da mulher em não se calar”.
Dos 89 crimes, 20 foram casos de feminicídio, 33% a menos que em 2019, quando foram registrados 30. A Região Serrana tem sido a mais violenta para as mulheres, com aumento de 400% no número de casos: pulou de dois assassinatos em 2019 para 10, neste ano.
Já em relação aos municípios mais violentos para as mulheres, Vila Velha e Serra ficam empatados. Foram 12 assassinatos em cada um das cidades, de janeiro a novembro deste ano.
Das 89 mulheres assassinadas, 61% foram vítimas de arma de fogo; 20%, arma branca; e 18%, por outros meios. Já em relação à faixa etária, 23% das vítimas possuem entre 20 e 24 anos; e 16%, entre 25 e 29 anos.
Quando o assunto é feminicídio, dos 20 crimes cometidos entre janeiro e novembro, 35% foram praticado pelos ex-maridos das vítimas; 18%, pelos maridos; e 12%, por namorados.
Para a delegada da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-DEAM) Claudia Dematté, é preciso que a sociedade entenda que o combate à violência contra a mulher não é uma luta só das mulheres, mas sim da sociedade.
“Precisamos desconstruir valores machistas ainda existentes na sociedade, que levam homens a praticarem atos absurdos, inaceitáveis, de violência contra mulher”.
Saiba mais
Vítimas são jovens
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A maioria das mulheres mortas possui entre 15 e 24 anos. Ao todo, foram 89 assassinadas de janeiro a novembro deste ano.
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São pardas 38% das vítimas e negras 22%, 10% brancas e 29% não informado.
Menor índice
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No ano passado, o Estado se destacou com a menor taxa de mulheres mortas nos últimos 14 anos, saindo de 11,0 em 2006 para 4,3 em 2019.
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Queda foi interrompida neste ano com seis mortes a mais que o ano anterior. Dados que podem ter influência da pandemia.
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O número de casos, que já ultrapassou o ano de 2019, se refere aos crimes cometidos entre janeiro e novembro.
Feminicídio
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Das 89 mulheres assassinadas, 20 foram casos de feminicídio, 33% a menos que em 2019, quando foram registrados 30.
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Dos 20 feminicídios, 35% foram praticados por ex-maridos, mesmo número vale para companheiros, 18% por marido e 12% por namorados.
Cidades
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As cidades de Vila Velha e Serra ficam empatadas ocupando o primeiro lugar no ranking em números absolutos. Foram 12 mulheres mortas em cada um dos municípios de janeiro a novembro deste ano.
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Metade dos homicídios aconteceu, este ano, no final de semana.
Fonte: Sesp.
