Na tarde desta segunda-feira (12), o corpo do médico Roberto Kikawa, 48 anos, foi enterrado no Cemitério da Consolação, na Zona Central de São Paulo. Kikawa morreu na noite do último sábado (10), após uma tentativa de assalto no bairro Ipiranga, na Zona Sul. Segundo a polícia, os criminosos o confundiram com um policial.
A mulher e os dois filhos adolescentes do médico, que estavam nos Estados Unidos, chegaram por volta de meio-dia ao velório, na igreja Holiness, na Saúde, Zona Sul de São Paulo.
Kikawa deixava a secretária e a filha dela em casa na noite de sábado, quando foi abordado por dois ladrões. Câmeras de segurança flagraram o momento em que os bandidos, armados, chegaram a pé.
De acordo com o depoimento da secretária, o médico não conseguiu retirar o cinto de segurança logo após a abordagem dos criminosos e abriu a porta do carro para pedir calma aos assaltantes. Mas, antes que Kikawa conseguisse sair do veículo, os bandidos dispararam dois tiros contra o médico e fugiram correndo. A secretária contou ainda que um dos ladrões peguntou várias vezes ao médico: “Você é parça? É polícia?”. E o outro gritou: “Atira nele! Atira nele!”.
Roberto Kikawa foi atingido no abdômen e na axila. Ele chegou a ser socorrido e levado para o Hospital do Ipiranga, mas não resistiu. De acordo com a polícia, Roberto foi confundido pelos criminosos com um policial. O caso foi registrado no 16º Distrito Policial, da Vila Clementino.
Atuação na saúde
O médico Roberto Kikawa deixa um grande legado na saúde pública e no atendimento a pessoas carentes. Kikawa era conhecido por ter fundado, em 2008, o Centro de Integração e Educação e Saúde (CIES) Global, entidade filantrópica que criou o programa Carreta da Saúde, para levar atendimento médico em unidades móveis para populações de baixa renda atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa surgiu após uma promessa que ele fez ao pai, que morreu de câncer depois de descobrir a doença em estágio já avançado.
Dez anos após o início do projeto, mais de 2 milhões de exames, cirurgias e consultas já foram realizados. A cidade de São Paulo conta com 32 pontos de atendimento do programa. Hoje, 54% dos exames de ultrassom realizados no município são feitos nesses locais.
Em 2010, o gastroenterologista recebeu o prêmio Empreendedor Social. No mesmo ano, também foi premiado pelo Fórum Econômico Mundial pela inovação na área de saúde.