Um médico de 51 anos foi preso em flagrante na quarta-feira (23) suspeito de “homicídio por omissão”. Na terça (23), ele teria se recusado a atender um paciente idoso em estado grave numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Contagem, Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Segundo o médico, a recusa se deu pois a UPA estava cheia e sem leitos. Os socorristas do Samu que acolheram o paciente afirmaram aos policiais que o profissional nem sequer se levantou da cadeira para olhar o homem.
Depois disso, a equipe do Samu acionou a central pedindo uma Unidade de Suporte Avançado (USA), que tem um médico responsável. O profissional tentou falar com o médico da UPA, mas não conseguiu.
Ao avaliar o paciente, o médico da nova equipe constatou a insuficiência do idoso. O estado de saúde do homem piorou e foi preciso fazer uma reanimação cardiopulmonar.
A Polícia Militar informou que, depois disso, eles conseguiram uma vaga em um hospital de Contagem. Porém, o paciente morreu antes de dar entrada na unidade de saúde.
Prisão
Antes de ser preso, o médico de 51 anos prestou à polícia um depoimento que passou de 13 horas de duração. O depoimento começou às 9h43 de quarta-feira (23) e terminou por volta das 23h. Além do médico, também foram ouvidos dois enfermeiros e um policial.
Ao fim do interrogatório, a Polícia Civil decidiu prender o suspeito em flagrante por “homicídio por omissão”. O médico foi encaminhado ao Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem.
“O médico estava na posição de garantidor e agiu com dolo ao não adotar todas as medidas cabíveis a fim de preservar a vida do paciente e impedir o resultado morte”, ressaltou o delegado de plantão.
Versão do médico
Segundo o médico, ele disse que entrou às 19h40 de terça-feira (22) na UPA e percebeu que a sala de urgência não tinha como receber mais pacientes.
De acordo com ele, a equipe do dia já havia avisado ao Corpo de Bombeiros e ao Samu que não poderia atender pacientes graves pois não havia mais macas e nem balão de oxigênio.
O médico contou ainda que, quando o Samu chegou com o idoso, ele falou que não era possível realizar a internação e continuou atendendo outros pacientes. Enquanto isso, um outro colega prescreveu uma medicação para o idoso.
Ele disse ainda que orientou aos socorristas a ligar para o Samu e levá-lo a outra unidade hospitalar.
