O médium João de Deus, 77, acusado de abusar sexualmente de centenas de mulheres, corre risco de morte. Internado em um hospital de Goiânia sob escola policial, o médium conseguiu – no Superior Tribunal de Justiça – a transferência do presídio para a unidade de saúde.
No pedido de habeas corpus, os advogados apresentaram um laudo do cardiologista Alberto de Almeida Las Casas Júnior, com um estado geral do médium. Segundo o médico, João de Deus já “perdeu 17 quilos em dois meses, está desidratado, hipertenso (pressão arterial entre 170 e 180mmHg e sistólica entre 90 e 105mmHg), apresenta um linfonodo no pescoço e apresenta dor e edema na perna – o qual pode corresponder a “Trombose Venosa Profunda” e que “se não tratado adequadamente pode levar a Embolia Pulmonar, CID: I-26, outra doença de grande morbimortalidade””.
Ainda segundo o cardiologista, o médium “possui um aneurisma da aorta abdominal com dissecção” e “alto risco de ruptura, sendo necessário o controle adequado da pressão arterial”.
“É uma pessoa que tem 77 anos. Não dá para menosprezar essa situação. Já teve uma série de intercorrências, de câncer à colocação de stents”, afirmou o advogado Alberto Toron.
Além da idade, no pedido de habeas corpus a defesa alegou uma série de problemas de saúde, como a realização de uma cirurgia de grande porte que resultou na retirada de mais de 60% do estômago.
A transferência será, inicialmente, por quatro semanas, e o médium será acompanhado por escolta policial no local de tratamento médico. “Ou, acaso esta escolta não se revele materialmente viável, pelo monitoramento eletrônico”, diz trecho da decisão do ministro.
Entenda o caso
João de Deus se tornou réu no início do ano pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual, após a juíza Rosângela Rodrigues dos Santos aceitar a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Goiás.
O médium está preso desde 16 de dezembro em Goiânia. Ele nega as acusações. É investigado por estupro, estupro de vulnerável, violação sexual e posse ilegal de arma. A denúncia da Promotoria foi oferecida à Justiça no dia 28 de dezembro.
Desde o surgimento dos casos, o Ministério Público montou uma força-tarefa junto à Polícia Civil para apurar as denúncias dos abusos cometidos pelo médium e recebeu ao menos 500 acusações de mulheres contra João de Deus.
