
O levantamento foi feito pelo jornal Folha de São Paulo em cartórios da cidade. Dos imóveis, 23 estão na área urbana, totalizando 19.725 m², e quatro na zona rural, com 703 hectares, equivalente a 985 campos de futebol com as medidas do Itaquerão.
O patrimônio do médium é um dos focos da investigação do Ministério Público de Goiás devido à perspectiva de pagamento de indenizações às supostas vítimas de violações. João de Deus está preso desde o dia 16 de dezembro, acusado de assédio sexual contra centenas de mulheres.
Na última semana, extratos bancários divulgados pela defesa mostraram que ele possui aplicações no valor de R$ 35 milhões. O Ministério Público apura se houve tentativa de movimentação indevida. Atualmente, a maior propriedade do médium em Abadiânia é a fazenda Mocó, Soares e Tabocussú, cujo terreno, com 439 hectares, foi unificado aos poucos nos últimos anos.
O nome de João de Deus consta em placa atrás do portão que anuncia a Tabocussú, onde ele cria gado. Áreas na mesma região são estimadas em cerca de R$ 100 mil o alqueire, valor que pode crescer conforme a proximidade do lago e da rodovia — o que leva à estimativa de que a propriedade unificada valha ao menos R$ 9 milhões. Para corretores, terras do médium têm “valor agregado”.
Um deles diz que João de Deus faz o valor que quer, porque a terra é considerada diferenciada na região. Tamanha fama local começou há ao menos 42 anos, quando o médium criou no município a Casa Dom Inácio de Loyola, espécie de hospital espiritual onde concentrava seus atendimentos até dias antes de sua prisão.