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Menina de 1 ano tem dedo cortado com tesoura por descuido em hospital

Família decidiu prestar queixa na Polícia Civil e o caso segue sob investigação

Última atualização

Uma criança de um ano e sete meses teve o dedo amputado por engano, durante a retirada de uma atadura, no Pronto-socorro Infantil de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. A menina deu entrada na última segunda-feira (13) para tratar uma picada de mosquito na testa e acabou tendo parte do dedo mínimo direito decepado. 

A família procurou o hospital após ela aparecer com uma marca de picada de mosquito na testa, que acabou causando muito inchaço e, por isso, a garota precisou ficar internada e tomar anti-inflamatório na veia. Durante a tarde da última terça-feira (14), acompanhada pela mãe, uma técnica de enfermagem foi retirar o acesso do medicamento, inserido no braço da criança, e decidiu cortar a atadura com uma tesoura, mas, segundos depois, a menina começou a gritar de dor.

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“Quando ela foi cortar a atadura, cortou o dedo junto, sem anestesia. Imagino a dor que a minha neta sentiu. Na hora, começou a esguichar o sangue, ela começou a gritar de dor e imediatamente retiraram a mãe da sala e chamaram o cirurgião. Logo depois, as técnicas voltaram para tentar encontrar o dedo cortado”, contou a avó da vítima, em entrevista à reportagem. 

Após o acidente, segundo a família, a criança foi sedada, uma enfermeira teria ido até a mãe e dito para ficar despreocupada porque a menina estava apenas com um “rasguinho no dedo”. A mãe chegou a avisar à família que estava tudo bem, mas, no dia seguinte, por volta das 10h, a avó decidiu ir até o hospital verificar o que havia ocorrido e apenas teve autorização para ver a menina às 16h.

“Quando cheguei, veio a diretora do hospital, assistente social e outras pessoas para falar comigo. Foi aí que percebi que tinha alguma coisa errada. Elas mostraram o raio x, disse que a minha neta estava bem, mas não queriam abrir o curativo. Disseram que não podiam abrir por risco de infeccionar. Mas eu insisti, falei que queria ver. Foi uma luta para elas mostrarem; e quando a gente viu, haviam tirado metade do dedo”, lamentou a avó.

De acordo com o pai da criança, a companheira, mãe da menina, que estava calma achando que seria apenas um corte, ficou desesperada quando viu que tinham amputado sua filha e ele chegou a passar mal: “estou desamparado, todo me tremendo”, disse o jovem à reportagem.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo lamentou o ocorrido e informou que a criança está estável e sendo avaliada por equipe multidisciplinar diariamente. “O Pronto-socorro Infantil está prestando todo suporte neste momento. Em relação à profissional, uma técnica de enfermagem concursada há 20 anos no município, ela foi imediatamente afastada até a conclusão da sindicância que foi aberta para apuração do caso”, informou.

TRAUMA E INVESTIGAÇÃO 

A família decidiu prestar queixa na 72ª DP da Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (16). A reportagem busca a Polícia Civil para saber em qual delegacia o caso será investigado e quem será o responsável pelo caso.

Segundo eles, o hospital não ofereceu nenhum tipo de ajuda para a família, a exemplo de tratamento psicológico, mas mencionaram que a garota seria encaminhada a um cirurgião plástico futuramente, uma vez que a menina está em fase de crescimento.

“Minha neta está traumatizada. Quando entra a família para visitar, ela brinca, conversa, mas quando entra uma pessoa diferente, ela já chora, esconde a mão e fala ‘o dedo dói, o dedo'”, contou a avó. A criança segue internada para observação e recuperação da amputação.

A gente pede justiça, mas aí eu me pergunto, o que seria justiça? O dedo dela não vai voltar. Não sei o que pedir, o que vou querer. Não sei o que fazer, o que falar. Só queria voltar com a minha neta intacta, mas isso já não é possível. A criança nasceu perfeita, gordinha, saudável, e agora teve o dedo amputado por erro médico. Ela vai sentir muito isso quando crescer.

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