Desde a greve na Polícia Militar, em fevereiro do ano passado, quando o Estado passou 22 dias com as ruas desprotegidas de policiamento preventivo e ostensivo, o mercado da segurança armada particular cresceu 500%, segundo as projeções de fontes do setor.
“Depois da greve, de fevereiro para março, choveram pedidos de segurança armada, mesmo que temporários. Não conseguimos atender a todos os condomínios por causa do crescimento de procura em 500%. De lá para cá, esse interesse veio se mantendo, principalmente nos grandes condomínios. Primeiro, porque sentiram na pele que só o porteiro não dá sensação de segurança, e com segurança armada especializada o controle é mais rígido e técnico”, destaca Jefferson Barros, gerente de uma empresa de segurança.
O “boom” não foi por menos: foram registrados tantos saques que sessenta pessoas acabaram indiciadas. Imagens de videomonitoramento auxiliaram o trabalho da polícia na identificação dos suspeitos de ação durante o motim.
Roubos e furtos também despertaram a insegurança dentro dos lares, disparando a contratação dos agentes armados do lado de dentro dos muros. Durante a paralisação dos militares, foram 127 roubos e 106 furtos — 233 do total de 704 ocorrências.
Coordenador de operações táticas, Juliano Gomes Mattos conta que sua equipe precisou realizar 17 mil horas de trabalho “a mais” durante o movimento paredista. Desde então, a gama de moradores atendidos só cresceu.
“Foi uma época em que registramos um número muito significante no aumento de invasões. Daí, a necessidade de um serviço preventivo na ausência do ostensivo”, explicou.
Diretor de segurança de um condomínio na Serra, Fábio Cordeiro relata que, além da localização, preço e lazer, os futuros compradores querem saber mesmo é do efetivo de segurança, que, no caso de Cordeiro, representa 35% do orçamento total de um condomínio com mil moradores.
“Além dos homens armados com pistola, temos os preventivos com radiocomunicador, ponto de comunicação para monitorar a movimentação de todos, câmeras e barcos. Ninguém anda sem que a gente esteja sabendo. Segurança e privacidade se confundem”, finaliza.
