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“Meu filho foi vítima do preconceito contra as periferias”, diz pai de vítima

Com um semblante abatido e um olhar de quem busca por respostas da polícia, o pai Cheslley de Oliveira Trabach, de 20 anos, morto durante um ...

Última atualização

 (Foto: Antonio Moreira/AT)

Com um semblante abatido e um olhar de quem busca por respostas da polícia, o pai Cheslley de Oliveira Trabach, de 20 anos, morto durante um confronto com a Polícia Militar na manhã de ontem, no bairro Mucuri, em Cariacica, disse que não acredita que o filho tenha cometido qualquer crime e muito menos, trocado tiros com militares.

O autônomo Welton Jesus, de 39 anos, que esteve no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde de ontem, para tratar do processo de liberação do corpo do rapaz, afirmou que o filho foi vítima do preconceito contra as periferias e que o que fizeram com ele “foi uma grande maldade”.

A tribuna- Como era o seu filho?
Pai- 
Era um menino muito carinhoso, atencioso , muito educado também. Ele me ajudava no meu bar. Não tinha envolvimento com o tráfico. Nunca me deu trabalho. Ele conversava muito comigo, nós eramos muito próximos um do outro, sempre que ele me via, ele me dava um beijo no rosto ou um abraço.

A PM disse que estava com uma arma. O que pensa sobre isso?
Eu não acredito nessa hipótese de roubo, de que ele estava com mais uma pessoa para cometer crimes. Então, essa questão de roubo, eu não acredito.

O que o senhor acha que pode ter acontecido?
Eu conheço muito bem ele( filho) e sei que ele pode ter sido confundido. Fizeram uma grande maldade com meu filho. Já chegaram atirando, não pararam ele nem para perguntar algo. Ele foi vítima do preconceito contra as periferias.

O que o senhor o pretende fazer agora?
Eu vou procurar a justiça porque eu quero respostas para entender o que aconteceu.

O seu filho nunca teve arma em casa?
Não. Meu filho nunca teve arma. Nunca nem sequer carregou arma.

A motocicleta que ele estava era dele?
Era dele. Ela não tem restrição de furto nem de roubo. Ele não tem passagens pela polícia. Agora eu só quero buscar a justiça.

O que os moradores te disseram sobre a morte do seu filho?
Eles disseram que ele estava sozinho na moto. Não tinha ninguém com ele. Me contaram ainda que os policiais deram o primeiro tiro e depois que meu filho caiu, ainda deram mais dois disparos nele.

Como será daqui para frente?
Agora é viver com a dor. Era o único filho do sexo masculino que eu tinha. Tenho mais duas meninas. Agora é confiar na Justiça e ver se ela vai dar um resultado. Meu filho não vai voltar mais, apesar de tudo, mas a gente vai tentar buscar entender o que aconteceu de fato.

Ele tinha sonhos?
Ele sempre quis nos ajudar, ter uma moto melhor. Ele tinha muito essa preocupação com a família.

Ele trabalhava?
Ultimamente ele estava fazendo bicos apenas. Trabalhava com revenda de cordões.

Como o senhor ficou sabendo da morte do seu filho?
Eu estava dormindo quando minha filha me acordou dizendo que balearam ele. Até agora minha ficha não caiu. Eu cheguei até ir para o local onde aconteceu, mas o corpo dele já não estava lá mais.

O senhor se lembra do último momento que esteve com ele?
Foi no meu bar. Ele me deu benção, me deu um beijo e disse eu te amo. Foi isso ( choro).

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