O Espírito Santo virou rota de fuga e esconderijo para milicianos cariocas e integrantes de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação é do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e é a primeira vez que um órgão oficial admite a atuação de milícias e facções no Estado.
“O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio de seu setor de inteligência, identificou que alguns foragidos da polícia, tanto ligados ao tráfico de drogas como grupos de milícias, utilizariam o Espírito Santo para refúgio”, disse o órgão por meio da Coordenadoria de Comunicação Social.
O MP-RJ cita, como exemplo, a prisão de dois milicianos em Viana, ocorrida em julho do de 2018. Pedro Paulo da Silva Figueiredo, o Japonês, e Guilherme de Souza Batista estavam num Ford Ka, na BR-101, quando foram presos pela Polícia Rodoviária Federal. Contra eles havia mandados de prisão por homicídios e outros crimes.
Os dois fazem parte de uma milícia que atua em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. “Ressalte-se a personalidade agressiva dos denunciados que são integrantes de milícia atuante na região, possuindo livre acesso a armas de fogo, o que evidencia seu poder intimidatório”, alertava o pedido de prisão preventiva feito pelo MP-RJ em abril do ano passado.
Liga da justiça
Em outra ação, a Polícia Civil do Rio tentou cumprir um mandado de prisão no Estado contra um foragido pertencente a que seria a maior milícia ativa do Rio de Janeiro, a “Liga da Justiça” – também conhecida como “Bonde do Ecko” – que atua na Zona Oeste do Rio e em pontos da Baixada Fluminense.
No dia 29 de agosto de 2018, a polícia carioca tentou prender Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, irmão do chefe da Liga, Wellington da Silva Braga, o Ecko, num sítio do Estado – não foi informado o município.
Zinho conseguiu fugir, mas deixou o celular para trás. O sigilo foi quebrado e a Justiça do Rio determinou a prisão de Ecko. Em fevereiro, a Justiça carioca bloqueou quase R$ 5 milhões em bens dos dois irmãos, incluindo uma mansão no Recreio dos Bandeirantes.
O MP-RJ também investiga a atuação do PCC. “Entre os anos de 2016 e 2018, o PCC teria aumentado o número de representantes no Espírito Santo.”
A Tribuna teve acesso às informações por ocasião da vinda do chefe do MP-RJ, Eduardo Gussem, a Vitória, na última segunda-feira (8), para participar de um evento.
Confira a reportagem completa no jornal A Tribuna desta quinta-feira (11).