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Polícia

“Minha irmã perdoou 40 vezes e o último perdão foi o da morte”

Acreditando em uma possível mudança de comportamento do companheiro, muitas mulheres que sofrem violência doméstica têm insistido em viver ...

Quetzia Eloá lamenta a morte da irmã: “Celina dizia que ele não matava nem barata, mas acabou assassinada”

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 Quetzia Eloá  lamenta a morte da irmã: “Celina dizia que ele não matava nem barata, mas acabou assassinada” (Foto: Leone Iglesias/AT)

Acreditando em uma possível mudança de comportamento do companheiro, muitas mulheres que sofrem violência doméstica têm insistido em viver relacionamentos abusivos. O problema é que a história a ser contada após constantes atritos entre o casal e os inúmeros perdões cedidos aos agressores nem sempre termina com final feliz.

É o caso de várias mulheres do Estado que foram assassinadas por maridos, ex-maridos, namorados, ex-namorados, companheiros e ex-companheiros. Na grande parte deles, segundo seus familiares, muitas delas chegaram a perdoar até 40 vezes seus agressores, antes de serem mortas.

“Não era um relacionamento saudável. Eles viviam brigando, e ele agredindo. Minha irmã perdoou 40 vezes, mas o último perdão foi o da morte, porque ele a matou da forma mais fria possível. Ela dizia que ele não matava nem barata, mas acabou assassinada”, revela a vendedora Quetzia Eloá Santos Braz Novaes, de 33 anos, irmã de Celina Conceição Braz, 25 anos, vítima de feminicídio.

Celina foi espancada e morta pelo próprio marido, o pedreiro Rodrigo Costa da Silva, na madrugada do dia 13 de junho do ano passado, depois de uma discussão.

Segundo a polícia, após assassinar a mulher, o acusado ainda permaneceu ao lado do corpo dela por seis horas, sendo surpreendido pelo dono da casa onde eles moravam, em Rio Marinho, Cariacica, que chamou a polícia.

O assassinato da promotora de vendas, que completou um ano ontem, trouxe grandes transtornos e perdas para a família dela.

“Meu avô morreu no mês passado porque não suportou a morte dela. A única filha que ela deixou, que está com 12 anos, tem trauma de homens e medo de tudo”, conta a irmã da vítima.

Outra jovem que teve a vida ceifada após perdoar seu namorado por algumas vezes foi a estudante Karolina de Souza Silva, na época do crime com 17 anos. A vítima foi morta em setembro de 2020, também após uma briga com o acusado, Gustavo David Coutinho, 20 anos, em São Pedro, Vitória. Depois de dar um mata-leão na garota, ele perfurou seu pescoço.

A vítima tinha feito uma série de denúncias contra o namorado e, tinha, na época, uma medida protetiva contra ele. Ele se encontra preso no Centro de Detenção Provisória de Viana 2.

Leia mais: Amor doentio já levou 13 mulheres à morte este ano no Estado

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