Uma semana depois de viverem uma cena de guerra no morro da Concha, na Barra do Jucu, Vila Velha, moradores do bairro fizeram uma ação na praia, na manhã deste domingo (19). Com faixas pedindo por paz e camisetas brancas com os dizeres “salvemos nosso morro”, o grupo buscava o fim da violência.
“Resolvemos fazer esse manifesto para pedir paz. É isso que a gente quer, poder continuar ocupando a praia com nossas famílias. Queremos nossa praia de volta”, declarou o autônomo Denivaldo Falcão Ferreira, 54, um dos organizadores do evento.
No último dia (11), moradores ficaram assustados com um tiroteio que aconteceu na praia, durante a noite. “Foi do nada, tinham umas 20 pessoas na praia. De repente veio um grupo da areia já atirando em direção a outro que estava na pedra, foi uma correria”, contou uma testemunha, sem se identificar.
No dia seguinte, pela manhã, um novo tiroteio deixou todo mundo em pânico. Cerca de dez pessoas dispararam pela praia. Um jovem foi baleado na ação e encontrado morto dentro de um carro, em Coqueiral de Itaparica, no mesmo município.
A violência está relacionada à disputa de gangues rivais pelo ponto de tráfico do local, que vem espantando famílias que costumavam frequentar a praia. A situação foi denunciada pelo jornal A Tribuna, em dezembro do ano passado. Agora, os moradores querem retomar o local, que é ponto turístico.
“Sou moradora há muitos anos, tive minha carreira construída aqui e não podia ficar de fora. É a minha praia, onde tudo aconteceu para mim. Ver ao longo dos anos a ocupação de indivíduos que não fazem parte dessa cultura leve, do surf, é trite”, lamentou a pentacampeã mundial de bodyboarding, Neymara Carvalho, 44.

De acordo com o subinspetor Anderson Salomão, da Guarda Municipal de Vila Velha, desde a última quinta um ônibus da corporação está no local 24 horas, e ainda não tem prazo para sair. “É um ônibus base, com videomonitoramento. Além disso temos a equipe que faz patrulhamento com a viatura”, afirmou.

