Em sítios, chácaras e fazendas, o medo da violência tem tirado o sono de pessoas que optaram por um estilo de vida tranquilo ou que tiram da terra o sustento da família. Elas sofrem com assaltos, furtos e diversos tipos de agressões. E, para enfrentar bandidos, os moradores desses locais estão se armando. Eles alegam que o objetivo é defender a família, a propriedade e a vida.
Segundo o instrutor de tiro Victor Boechat, a procura pela posse de arma entre produtores rurais de Cariacica, Viana, Serra e de cidades fora da Grande Vitória aumentou. Com o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no último dia 15 de janeiro, que facilitou a aquisição da posse de arma em todo o País, a demanda dobrou.
“Até o final do ano passado, nós recebíamos 20 pedidos por mês. Depois da assinatura do decreto, passamos a receber 40 pedidos por mês. Os produtores rurais reclamam que não possuem apoio do Estado e que o único meio de reagir a uma injusta agressão é ter uma arma de fogo. Querem se defender”, afirmou Boechat.
Ele também é dono de uma empresa de assessoria processual para quem deseja adquirir uma arma.

O instrutor de tiro James Paul Nassar Wright afirmou que 50% dos produtores rurais que procuram o escritório onde ele trabalha, já foram vítimas violência. “Os outros 50%, procuram porque já viram algum vizinho ou conhecido passar por alguma situação”.
Para Boechat, a arma mais procurada por moradores das zonas rurais é a pistola calibre 380. Ele disse que a faixa etária dos homens que tiram a posse de arma é de 50 anos. “Hoje, 90% das pessoas procuram a pistola, por conta da facilidade de manuseio. Em seguida, vem o revólver calibre 38 e depois a espingarda e o rifle”.
Boechat alerta que a reação só deve acontecer se a vida de alguém estiver em risco. “Não se pode agir por impulso, pois a pessoa vai enfrentar consequências legais”.
