
Emmerich, que lidera uma comissão integrada feita especialmente para desmontar esse tipo de baile, contou que no último sábado, antes do tiroteio que resultou na morte de duas pessoas e feriu outras 13 no bairro Primeiro de Maio, a força-tarefa foi até o local três vezes, mas o material já havia sido recolhido.
“Havia uma quantidade razoável de pessoas, mas não tinha som aparente nem bebida. Depois descobrimos que os moradores foram usados para guardar o material. Como não podemos entrar na casa das pessoas sem mandado judicial, não conseguimos apreender”, explicou Emmerick.
O secretário disse que quem organiza os Bailes do Mandela são traficantes de drogas ou pessoas envolvidas com o crime. “Aqueles que não são criminosos criam condições para que o tráfico aconteça. Porque a festa é ilegal, causa um transtorno muito grande, a insegurança e a desordem são generalizadas”, criticou.
O secretário esclareceu que realizar festas não é proibido, mas que eventos desse porte precisam de autorização da Prefeitura. “Não é crime fazer festa. O que esses organizadores têm que fazer é pedir autorização para legalizar o evento. Têm que apresentar um plano de segurança, não podem permitir uso de drogas ilegais. Aí, eventualmente, em algumas dessas festas podemos até ir lá fazer o policiamento, a interdição da rua, fazer tudo dentro da lei. Mas eles não colocam nem banheiro em uma festa para mais de mil pessoas”, explicou.
O secretário adiantou que as ações para acabar com os Bailes do Mandela em Vila Velha vão ficar mais intensas para evitar que se repitam situações como a do fim de semana. “A ordem tem que ser mantida. O Estado não pode permitir que isso aconteça. Não podemos perder o controle. Nós vamos de uma forma ou outra estar presentes nesses locais, vamos incomodar, e eles vão perder dinheiro”, garantiu.
Tiroteio no Baile do Mandela
Foi preso na tarde desta segunda-feira (28) o segundo suspeito de envolvimento no tiroteio que resultou em duas pessoas mortas e 13 feridas na festa conhecida como Baile do Mandela, no bairro Primeiro de Maio, em Vila Velha, na madrugada de domingo (27). Alessandro Rosa Santos, conhecido como Zói, é apontado pela polícia como motorista do Honda Fit prata utilizado pelos criminosos do Morro do Macaco para cometerem o crime.
Zói se apresentou no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), junto com um advogado, para tentar recuperar o Honda, que havia sido apreendido. Mas um mandado de prisão temporária contra ele já havia sido expedido, e o suspeito foi preso na hora.
O primeiro a ser preso foi Haryel Costa Vicente, 20 anos. Apontado como gerente do tráfico do Morro do Macaco, em Vitória, ele foi baleado na hora do tiroteio e levado ao hospital, onde acabou preso. Havia um mandado de prisão em aberto contra Haryel.
Segundo o secretário de Segurança do Estado, Roberto de Sá, outros dois suspeitos já foram identificados. E deu um recado:“A hora de vocês vai chegar.” O crime é resultado da guerra do tráfico em Vitória, segundo a polícia.
O baile
Segundo moradores do bairro Primeiro de Maio, em Vila Velha, no local onde aconteceu o baile havia pelo menos 300 pessoas. A festa começou na noite de sábado e foi interrompida três vezes pela polícia, mas após a saída dos policiais e dos fiscais da prefeitura, a festa recomeçava. Por volta das 5h30 um carro com quatro homens parou a cerca de 15 metros de onde se concentrava o maior número de pessoas. Um deles desceu do veículo portando uma metralhadora. O criminoso caminhou até o ponto central da festa e abriu fogo em direção a Jamerson Silva Souza, 25, e Ramon Carlos Freitas Santana, 26, que levaram vários tiros e morreram no local. “Ele (o atirador) deu um giro de 180º e atingiu gente que não tinha nada a ver com essa briga deles”, disse um estudante, 19. Os feridos foram levados a hospitais da Grande Vitória, dois deles em estado grave.
ASSASSINADO EM FRENTE A HOSPITAL
Algumas horas mais tarde, Fabrício Bella Alvarenga, 22 anos, foi morto a tiros em frente a um hospital no bairro Itararé, em Vitória. Dois criminosos desceram de um carro vermelho e iniciaram os disparos contra a vítima, que correu para dentro do hospital. A polícia acredita que esse crime tenha relação com o tiroteio no Baile do Mandela em Vila Velha. “A investigação nos conduz ao raciocínio de uma retaliação. O carro vermelho utilizado no crime foi localizado ainda na noite de domingo, as pessoas foram interrogadas, a perícia foi feita, e os dois autores também já estão identificados. Todos serão presos”, garantiu o secretário Roberto de Sá.