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Polícia

Moradores obrigados a guardar equipamentos de som para traficantes

As pessoas que moram no entorno dos bailes conhecidos como Mandela são coagidas pelos traficantes que organizam a festa a guardar bebidas e caixas de ...

Última atualização

 (Foto: Beto Morais/AT)As pessoas que moram no entorno dos bailes conhecidos como Mandela são coagidas pelos traficantes que organizam a festa a guardar bebidas e caixas de som na hora que a polícia chega. A ação dificulta a apreensão, e, logo depois que a polícia vai embora, o baile recomeça. A informação é do secretário de Defesa Social de Vila Velha, coronel Oberacy Emmerich Júnior.

Emmerich, que lidera uma comissão integrada feita especialmente para desmontar esse tipo de baile, contou que no último sábado, antes do tiroteio que resultou na morte de duas pessoas e feriu outras 13 no bairro Primeiro de Maio, a força-tarefa foi até o local três vezes, mas o material já havia sido recolhido.

“Havia uma quantidade razoável de pessoas, mas não tinha som aparente nem bebida. Depois descobrimos que os moradores foram usados para guardar o material. Como não podemos entrar na casa das pessoas sem mandado judicial, não conseguimos apreender”, explicou Emmerick.

O secretário disse que quem organiza os Bailes do Mandela são traficantes de drogas ou pessoas envolvidas com o crime. “Aqueles que não são criminosos criam condições para que o tráfico aconteça. Porque a festa é ilegal, causa um transtorno muito grande, a insegurança e a desordem são generalizadas”, criticou.

O secretário esclareceu que realizar festas não é proibido, mas que eventos desse porte precisam de autorização da Prefeitura. “Não é crime fazer festa. O que esses organizadores têm que fazer é pedir autorização para legalizar o evento. Têm que apresentar um plano de segurança, não podem permitir uso de drogas ilegais. Aí, eventualmente, em algumas dessas festas podemos até ir lá fazer o policiamento, a interdição da rua, fazer tudo dentro da lei. Mas eles não colocam nem banheiro em uma festa para mais de mil pessoas”, explicou.

O secretário adiantou que as ações para acabar com os Bailes do Mandela em Vila Velha vão ficar mais intensas para evitar que se repitam situações como a do fim de semana. “A ordem tem que ser mantida. O Estado não pode permitir que isso aconteça. Não podemos perder o controle. Nós vamos de uma forma ou outra estar presentes nesses locais, vamos incomodar, e eles vão perder dinheiro”, garantiu.

Tiroteio no Baile do Mandela

Foi preso na tarde desta segunda-feira (28) o segundo suspeito de envolvimento no tiroteio que resultou em duas pessoas mortas e 13 feridas na festa conhecida como Baile do Mandela, no bairro Primeiro de Maio, em Vila Velha, na madrugada de domingo (27). Alessandro Rosa Santos, conhecido como Zói, é apontado pela polícia como motorista do Honda Fit prata utilizado pelos criminosos do Morro do Macaco para cometerem o crime.

Zói se apresentou no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), junto com um advogado, para tentar recuperar o Honda, que havia sido apreendido. Mas um mandado de prisão temporária contra ele já havia sido expedido, e o suspeito foi preso na hora.

O primeiro a ser preso foi Haryel Costa Vicente, 20 anos. Apontado como gerente do tráfico do Morro do Macaco, em Vitória, ele foi baleado na hora do tiroteio e levado ao hospital, onde acabou preso. Havia um mandado de prisão em aberto contra Haryel.

Segundo o secretário de Segurança do Estado, Roberto de Sá, outros dois suspeitos já foram identificados. E deu um recado:“A hora de vocês vai chegar.” O crime é resultado da guerra do tráfico em Vitória, segundo a polícia.

O baile

Segundo moradores do bairro Primeiro de Maio, em Vila Velha, no local onde aconteceu o baile havia pelo menos 300 pessoas. A festa começou na noite de sábado e foi interrompida três vezes pela polícia, mas após a saída dos policiais e dos fiscais da prefeitura, a festa recomeçava. Por volta das 5h30 um carro com quatro homens parou a cerca de 15 metros de onde se concentrava o maior número de pessoas. Um deles desceu do veículo portando uma metralhadora. O criminoso caminhou até o ponto central da festa e abriu fogo em direção a Jamerson Silva Souza, 25, e Ramon Carlos Freitas Santana, 26, que levaram vários tiros e morreram no local. “Ele (o atirador) deu um giro de 180º e atingiu gente que não tinha nada a ver com essa briga deles”, disse um estudante, 19. Os feridos foram levados a hospitais da Grande Vitória, dois deles em estado grave.

ASSASSINADO EM FRENTE A HOSPITAL

Algumas horas mais tarde, Fabrício Bella Alvarenga, 22 anos, foi morto a tiros em frente a um hospital no bairro Itararé, em Vitória. Dois criminosos desceram de um carro vermelho e iniciaram os disparos contra a vítima, que correu para dentro do hospital. A polícia acredita que esse crime tenha relação com o tiroteio no Baile do Mandela em Vila Velha. “A investigação nos conduz ao raciocínio de uma retaliação. O carro vermelho utilizado no crime foi localizado ainda na noite de domingo, as pessoas foram interrogadas, a perícia foi feita, e os dois autores também já estão identificados. Todos serão presos”, garantiu o secretário Roberto de Sá.

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